Os novos estados brasileiros

Por incrível que pareça existe mais de uma dezena de propostas para criação de novos estados e territórios no Brasil.

A divisão do Pará já não vai rolar (meus cumprimentos aos paraenses), mas dê uma olhada em outras aberrações.

FONTE: TRETA

http://www.treta.com.br/2011/03/mapa-com-os-novos-estados-brasileiros-propostos.html?utm_medium=referral&utm_source=pulsenews

Paraná: Visite antes que acabe

FONTE: http://www.esmaelmorais.com.br/2013/03/parana-visite-antes-que-acabe/

TEXTO: Esmael Morais

A “Terra das Araucárias” se transformou em uma região propícia para as grandes negociatas. Aqui nestas plagas riscos não há no capitalismo. Se prejuízo houver, tenha certeza, será socializado. Se se pretende uma sacanagem, dentro da legalidade, instale-se aqui. Tem-se a garantia de não ser perturbado por quem quer que seja. Não é necessário investimento inicial. Dinheiro público a granel, sem juros ou correção monetária.

É impressionante a capacidade de as forças vivas paranaenses não se indignarem com os desmandos e negociatas que se praticam em cima do Estado. Os partidos e lideranças políticas não dão respostas à altura do desmonte que se pratica contra o patrimônio de todos nós.

Mês passado soubemos através de um estudo técnico do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) que as estradas pedagiadas há 15 anos quase não receberam melhoriasnesse período, que os usuários pagaram tarifas escorchantes todo esse tempo para simplesmente enriquecer alguns espertalhões.

Na Sanepar, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), houve aumento de 200% no lucro dos acionistas privados nos últimos dois anos. As tarifas de água e esgoto serão majoradas outra vez, no mês que vem. A companhia cobra dos usuários o tratamento de esgoto, mas, de acordo com a Polícia Federal, deseja todo o dejeto no rio Iguaçu sem efetuar o serviço.

Os serviços essências prestados aos cidadãos serão terceirizados. O governo do Paraná pretende pagar R$ 3 bilhões, pelos próximos 25 anos, para alguma empresa privada administrar o que ele deveria fazer com primazia. Isto por si só já é um escândalo, mas os partidos políticos ainda seguem dormindo em berço esplêndido.

Há vários contratos de prestação de serviço entre “amigos do rei” e empresas mistas, a exemplo da Copel, Sanepar, Cohapar, etc., sem necessidade de licitação. A Educação segue um caos, sem projeto pedagógico, sem rumo. A Segurança nem se fala.

Tenho a impressão que o Paraná está sendo liquidado como se fosse um final de feira. Portanto, visitem-no antes que acabe.

V de Vingança: a história que não foi para a telona

Antes de tudo, um aviso: o texto abaixo contém vários SPOILERS para quem não leu a HQ V de Vingança.
Muitos escritores de histórias em quadrinhos vivem uma relação de amor e ódio com a indústria cinematográfica. Alguns, como Frank Miller e Mark Millar, são queridinhos de Hollywood e têm uma ligação estreita com produtores e executivos dos estúdios – Miller já chegou até a dirigir um filme, apesar deste ser de uma qualidade bem duvidosa (sim, estou falando da bomba The Spirit).
Com Alan Moore, o inglês barbudo e recluso, ocorre exatamente o contrário. Nada de “amor e ódio”. É só ódio mesmo. Contrariando o que qualquer escritor faria ao ter uma obra sua adaptada para o cinema, Moore abre mão dos direitos de suas histórias (e assim, de lucrar em cima disso) para não ter seu nome estampado na lista de créditos ou no cartaz da produção. Para ele, tais filmes não têm nada a ver com seus quadrinhos.
Não é à toa. Afinal, já se tornou praxe dos estúdios pinçar personagens e séries consagradas da literatura e das HQs e, com o intuito de atingir o maior público possível, “reformular” alguns conceitos das histórias, a fim de torná-las mais “acessíveis”. Certo que é uma tarefa ingrata adaptar uma HQ de centenas de páginas em duas horas de filmes, mas muitos roteiristas acabam indo para o caminho mais fácil: esquece-se as subtramas, o contexto, a diversidade de interpretações, e produz-se uma aventura juvenil para toda a família.

A verdadeira Liga Extraordinária, desenhada por Kevin O’Neil.
A Liga Extraordinária (The League of Extraordinary Gentlemen, 2003), filme baseado na festejada série de Alan Moore e Kevin O’Neil, é um exemplo emblemático. A premissa da HQ é muito boa: reunir personagens consagrados da literatura, subverter seus comportamentos e colocá-los em aventuras controversas, enfrentando inimigos bizarros. Quem nunca imaginou, de fato, o destino de Mina Murray após a aventura de Drácula? Ou o que o Homem Invisível de H.G. Wells continuava aprontando? Pois bem. O filme chegou e simplesmente não utilizou nada do que de fato havia dado certo nos quadrinhos. Os “heróis” estão lá, capitaneados por um Sean Connery que até hoje deve estar se perguntando como diabos foi parar numa encrenca dessa. E aí temos mais uma “aventura para toda a família”, que, mesmo se partisse de uma ideia original, passaria totalmente despercebida.
Muita gente – e aqui entram os fãs xiitas de quadrinhos – também torceu o nariz para a adaptação de Watchmen, uma das obras máximas de Alan Moore e das HQs como um todo, feita por Zack Snyder em 2009. Mas reconheço que, fora os arroubos de estilo de Snyder, como suas câmeras lentas, até que foi uma homenagem decente. Tanto que o filme patinou nas bilheterias e deixou muito espectador se questionando que tipo de filme de “super-herói” era aquele. Watchmen não é mesmo para o grande público, que procura nos cinemas uma aventura à lá X-Men ou Homem de Ferro. Bom, isso não bastou para Alan Moore, que mais uma vez quis se ver longe de ter seu nome relacionado à adaptação. Nos créditos do filme, consta apenas a menção a Dave Gibbons, ilustrador da saga.
Mas, depois deste nada breve preâmbulo, o filme que eu gostaria de comentar neste post é o hoje popular V de Vingança (V For Vendetta, 2005), adaptação dos quadrinhos de Alan Moore e David Lloyd dirigida por James McTeigue com roteiro e produção dos Irmãos Wachowski (os eternos criadores de Matrix). Você pode nunca ter visto o filme e muito menos lido a HQ, mas certamente já viu por aí um dos símbolos da trama: a máscara circense de Guy Fawkes adotada pelo grupo hacker Anonymous e depois por milhares de manifestantes em protestos diversos pelo mundo.

V De Vingança, no traço de David Lloyd.
A série V de Vingança foi a primeira tentativa de Alan Moore de produzir uma série continuada, ao longo de vários meses e anos – começou a ser publicada em 1982 na revista britânica Warrior e seguiu até 1983, para depois ser relançada pela DC Comics em seu selo adulto, Vertigo. Hoje, é relativamente fácil de ser encontrada nas livrarias brasileiras em uma edição encadernada lançada pela Panini.
A obra original é um drama político denso, ilustrado em tons de história noir, repleto de personagens e tramas complementares que rodeiam o personagem principal, V, um terrorista (aqui, a definição assume significados distintos) mascarado que desafio o governo fascista de uma Inglaterra futurista. Após salvar a adolescente Evey Hammond de um ataque de agentes do governo, V arregimenta a garota para sua causa, manipulando-a e criando com ela uma estranha relação, às vezes sádica, às vezes quase fraternal.
Ao longo de dois anos, V embarca em uma série de maquinações e ataques com o objetivo direto de instaurar o caos e derrubar o status quo vigente, substituindo o fascismo pela completa anarquia. No meio do caminho, tenta abrir os olhos dos cidadãos para a tirania do governo, não os eximindo de culpa por terem permitido que o partido atual chegasse ao poder. Um dos mais emblemáticos discursos deV escritos por Alan Moore está no momento em que o anti-herói invade uma emissora de TV e passa a se dirigir aos milhões de espectadores que o acompanham de casa (perceba como a fala é atual):
“Nós tivemos uma sucessão de malversadores, larápios e lunáticos tomando um sem-número de decisões catastróficas. Isso é inegável. Mas quem os elegeu? Você! Você indicou essas pessoas. Você deu a elas o poder para tomarem decisões em seu lugar! Claro que qualquer um está sujeito a se equivocar, mas cometer os mesmos erros fatais, século após século, parece uma atitude deliberada. Você encorajou esses incompetentes, que transformaram sua vida profissional num inferno. Aceitou suas ordens insensatas, sem questionar. Sempre permitiu que enchessem seu espaço de trabalho com máquinas perigosas. Você podia ter detido essa gente. Bastava dizer não. Você não teve orgulho próprio. Perdeu o valor que tinha na companhia (V faz uma analogia a Londres como se esta fosse uma grande empresa). No entanto, eu serei generoso. Você terá dois anos para aprimorar seu trabalho. Se, ao fim desse período, não apresentar resultados satisfatórios… será cortado”.

Texto denso de Alan Moore complementa arroubos visuais e estilísticos trazidos por Lloyd.
Como se pode ver, a força de não está em habilidades físicas quase sobrenaturais (como supõe a produção hollywoodiana), mas sim em seu carisma, sua oratória e seu intelecto. Seus objetivos só serão cumpridos se ele ultrapassar a barreira que o limita como um homem comum para então se tornar uma ideia – esta sim passível de ser assimilada e reproduzida pelos cidadãos. “Você pretendia me matar? Não há carne ou sangue dentro deste manto pra morrerem. Há apenas uma ideia. Ideias são à prova de balas”, diz o mascarado, em um de seus derradeiros momentos.
Em um artigo escrito ainda na época de publicação da HQ, Alan Moore lança luz sobre as motivações do personagem e a complexidade da trama, em comparação aos populares quadrinhos de super-heróis:
“O mais importante foi quando nos demos conta de que a história que estávamos narrando se afastava cada vez mais da proposta ‘um homem contra o mundo’ com a qual havíamos começado. A combinação dos meus textos e os desenhos de David fez emergirem elementos que não lembramos de ter proposto. Houve ressonâncias que pareciam apontar para questões maiores do que as abordadas habitualmente pelos quadrinhos”.
Curioso que, na adaptação para o cinema, o que acabou sobressaindo foi mesmo a ideia de “um homem contra o mundo” cogitada inicialmente por Moore. Sim, temos como pano de fundo a mesma Inglaterra futurista e fascista, mas o roteiro, ao contrário da HQ, é muito mais linear e objetivo. Na telona, V surge como um ser em busca de vingança, na clássica história do monstro que se volta contra seus criadores. A revolta da população parece ser mais um efeito colateral do que uma meta em si.

V e Evey: uma improvável dupla romântica.
Aí, surgem algumas distorções que, se ajudam o espectador a assimilar a história, causam chiliques nos adoradores da obra original. No filme, V e Evey se tornam praticamente amantes, numa improvável dupla romântica – vale lembrar que, na HQ, Evey é salva por V no momento em que a garota tentava se prostituir nas ruas. Os roteiristas também, ao que parece, levaram a sério demais o conceito de Vse tornar uma ideia a ser adotada pelos cidadãos. Nos quadrinhos, a insurreição da população se dá ao longo de meses, sem controle, com vandalismo e combates brutais entre as forças de segurança e os manifestantes – toda a sociedade entra em colapso, para o bem e para o mal. Nada perto do fim festivo do filme, em que uma multidão de V’s desfila incólume pelas ruas de Londres, em uma passeata organizada e pacífica.
Outro momento bastante constrangedor filmado por James McTeigue é o embate final de V contra seus algozes, em uma estação de metrô abandonada. Por alguns momentos, V se torna uma mescla de Batman e do herói dark O Corvo, resistindo a uma saraivada de balas para depois derrubar um a um com golpes rápidos e adagas afiadas. Nos quadrinhos, a cena é muito mais sóbria: V acaba morto pelo inspetor Finch, um personagem central da trama, que ganha tanta espaço nas páginas quanto Evey ou o próprio protagonista.

O V de Hugo Weaving: atuação competente, mesmo sem nunca mostrar o rosto.
Não vou ser aqui o chato da vez que só quer detonar o filme. V de Vingança merece sim ser visto e tem seus méritos. A HQ e a famosa máscara de Guy Fawkes só se popularizaram entre o grande público – os jovens, principalmente – após a chegada da adaptação à telona. Além do mais, os produtores do filme foram, de certo modo, corajosos. Não é todo dia que um grande estúdio – no caso, aWarner Bros. – banca uma superprodução que traz como protagonista um terrorista que quer explodir o Parlamento inglês. Hoje, V é um personagem da cultura popular, mesmo que muitos que usam sua máscara sequer conheçam a gênese deste anti-herói.
O melhor é que, na época, os encadernados da série esgotaram nas bancas, justamente porque muita gente foi atrás da história original. E, como sempre, se eu pudesse deixar uma recomendação, é esta: veja o filme, mas, antes de tudo, leia os quadrinhos. Não se engane. V de Vingança não é um gibi de super-heróis. É, na verdade, uma prova de que histórias em quadrinhos podem ser lidas tanto por adolescentes quanto por sociólogos. Mesmo que os executivos de Hollywood queiram te convencer do contrário.

A PEC 37 disfarçada… absurdo!

Tá rolando um boato dq uma tal lei 12.830/2013 estaria funcionando como uma PEC 37 disfarçada. Sobre este boato segue alguns fatos q qualquer estudante de direito constitucional sabe:
1 – Quem dá poder ao Ministério Público é a Constituição Federal.
2 – Não existe lei que possa contrariar a Constituição Federal.
3 – Caso alguma lei ensaie contrariar a Constituição Federal esta é derrubada pelo STF através de ADIn, tornando inválido seus efeitos desde sua criação.

Existe muita gente de índole duvidosa compartilhando informações errôneas apostando na falta de conhecimento do povo brasileiro, confundindo a população e implantando o caos. Não caia nessa!

 

O efeito boomerang da bala de borracha

Governos treinaram na Amazônia e nas periferias a repressão e a violência que hoje se vê nas cidades. É preciso ir para as ruas recuperar a democracia representativa.

Por Felipe Milanez

Alguns anos atrás, a geógrafa Bertha Becker disse numa entrevista à National Geographic Brasil que a Amazônia é uma fronteira. Segundo ela, “lá é possível observar as tendências mais recentes em curso no mundo.” Tendência, uma palavra da moda, serve para indicar as transformações. Segundo Bertha, na Amazônia as grandes transformações mundiais são mais fáceis de ser percebidas do que no Rio de Janeiro e São Paulo, pois nessas cidades “a complexidade da vida social, econômica e política é tão grande, entremeada de tantas informações, que é difícil captar algum rumo novo.”

Essa ideia da “tendência” pioneira na Amazônia pode ajudar a explicar de onde vem a violência na repressão dos protestos e movimentos sociais. A bala de borracha que cega manifestantes pelo passe livre em São Paulo, o gás que asfixia quem pergunta “Copa para quem?” no Rio ou em Brasília, já eram, de certa forma, sentidos em Altamira e em Porto Velho, no Sul do Pará, espalhando-se pelo Mato Grosso do Sul, Oeste do Paraná, e o país afora. Agora, chega nos centros dessa massiva urbanização que é o país.

Treinar a repressão e a violência na colônia, fronteira ou periferia, para depois utilizar na metrópole, ou no centro, é uma estratégia antiga do mundo colonial. Se o Brasil livrou-se de Portugal, o mesmo faz internamente na Amazônia. Saqueia os recursos e oprime a população local. O filósofo francês Michel Foucault chamou isso de “efeito boomerang”.

A ideia de Foucault (que ele desenvolve a partir do trabalho de Hannah Arendt sobre o totalitarismo) é que o Ocidente treinava nas colônias os aparatos de repressão, instituições e técnicas de poder, que depois eram utilizados em suas colônias internas, contra a própria população. Como a França praticou em Algiers, depois em Paris.

Ridicularizar os 0,20 centavos no aumento da passagem é como Lula havia ridicularizado o delicioso, e importantíssimo para biodiversidade cultural da vida aquática amazônica, peixe dourada (brachyplatystoma rousseauxii) do rio Madeira.

Durante o processo de licenciamento ambiental das usinas Santo Antônio e Jirau em 2007 (o “Complexo Madeira”, que inclui outras usinas que o governo quer construir), Lula havia ironizado a possibilidade de um “bagre” impedir uma usina e o progresso do país. “Agora não pode por causa do bagre, jogaram o bagre no colo do presidente. O que eu tenho com isso?”

As usinas foram enfiadas goela abaixo da população, ao contrário do prometido por Lula, que dizia que tudo seria negociado e previamente informado. Denúncias de corrupção agora inundam Porto Velho, e o desmatamento explodiu na região, Jacy Paraná, cidade dormitório onde Jirau está sendo construída, tornou-se extremamente violenta, com grupos de extermínio matando lideranças locais (sempre com impunidade, como no caso de Osmar Lima dos Santos, assassinado em novembro de 2009, tesoureiro da associação comunitária), epidemia de crack, prostituição infantil. Pescadores e povos indígenas sofrem e já não sabem para quem recorrer – o Estado que deveria auxilia-los é o mesmo que destruiu suas vidas.

E quando os trabalhadores revoltaram-se pelas terríveis condições de trabalho, em março de 2011, lá foi a Força Nacional e a Polícia Militar testar como reprimir, amedrontar, partir com violência para intimidar protestos políticos. Era o teste. “Vim aqui para trabalhar, mas tratam a gente como presidiário”, me disse um trabalhador na ocasião.

Nunca esqueço o relato de uma criança que escutei em Porto Velho. Ela tinha ouvido de um colega na escola, ameaçador: “Cala a boca senão eu vou chamar um peão de Jirau.” O “peão” é como o “punk” que a PM diz que promovem “vandalismo” em São Paulo. Os trabalhadores eram os “vândalos”, como são hoje os manifestantes nas cidades.

O bagre transformou-se em guarani e kaiowá no Mato Grosso do Sul. Virou kayapó, xikrin, arara, juruna e tantos outros no Xingu. Foi para o Tapajós, e agora o bagre é munduruku. Vão os mundurukus impedirem o progresso do país pois exigem seus direitos sobre as usinas no Tapajós? Assim seria, até o bagre também virar terena. Oziel Terena morreu, assim como Adenilson Munduruku, como bagres por balas da Polícia Federal. Impunemente. Sem palavras de perdão, desculpas ou lamentos pelo ministro José Eduardo Cardozo. Apenas lacônicas promessas de “investigação” – como se fosse preciso prometer investigar o que a lei obriga que seja investigado e punido.

O último “bagre” foi Celso Rodrigues Guarani Kaiowá, da aldeia Paraguassú, em Paranhos, assassinado por um pistoleiro que cobrou 600 reais por sua vida, semana passada, no Mato Grosso do Sul. Suspeitas recaem sobre o dono da fazenda Califórnia (que nome!). Os kaiowá lutam para retomar a Califórnia, entre tantas outras fazendas na região que invadiram seus territórios. São os bagres dos sojeiros, pecuaristas e usineiros.

Quem se revolta pelo aumento das passagens em São Paulo porta-se como um bagre do rio Madeira, como um munduruku, um guarani, um kayapó. Não adianta criticar o governo que incentiva a indústria automobilística e o consumo de carros, mas que considera subsídio indevido e abusivo investir no transporte público para a massa, para o cardume da população.

A situação é complexa. Quem luta pela democracia, hoje, é a “minoria”. Assim como o PSDB não larga o poder em São Paulo há anos, promovendo tragédias e repressões extremamente autoritárias e violentas como foi o caso do Pinheirinho, periferia de São José dos Campos, em janeiro de 2012, também no plano federal (PT e coligações), quem é eleito pela maioria governa de forma autoritária promovendo uma política semelhante de repressão.

Como pode um governo democrático, eleito pela grande maioria do país, recusar-se a ouvir um povo indígena que será afetado por uma série de projetos hidrelétricos em suas terras? A revolta dos munduruku é a defesa da democracia. A revolta dos terenas, dos guaranis e kaiowas no Mato Grosso do Sul, é a defesa da democracia e do Estado de Direito contra a pistolagem ruralista. “Os índios protestam nacionalmente”, disse o antropólogo Carlos Fausto em entrevista aqui no blog. “Isso tudo foi para lembrar que Belo Monte é aqui. E que aqui todo mundo é índio, exceto os de sempre.”, escreveu o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro no twitter (@nemoid321).

A luta em São Paulo pelos 0,20 centavos é a luta pela democracia. Pela democracia que deveria ser representativa. A “minoria” de jovens que luta pela democracia dos transportes público para a “maioria” da população – “minoria” e “maioria” são ideias cada vez mais complicadas, ainda mais em um país onde 200 deputados representam 1% dos detentores de terras, que têm em suas mãos metade do país e se dizem “produtores” (mas não se sabe produtor do quê, se é de álcool para o transporte privado, de ração para porcos na China ou de gado para o Irã).

Essa sim uma verdadeira minoria, o 1% que decidiu criar uma lei em benefício próprio e que incentiva a destruição de florestas, o “Código Florestal”. E que vaiaram nesse mesmo dia da votação, como em um espetáculo fascista, o anúncio da morte do casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo no Congresso Nacional. Quem eles representam?

A rua hoje é legítima. Somos todos bagres. Somos todos índios. Somos todos a favor do transporte público. E o uso da força, da bala de borracha, do gás, é mais um ataque a democracia e ao Estado de Direito. E mais um ataque à socio-cultural-bio-diversidade que colore o Brasil, e que está sendo asfixiada, desmatada e barrada.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-milanez/o-efeito-boomerang-da-bala-de-borracha-7510.html

Cantar o hino de costas? Pura bobagem!

Apoio todas essas manifestações enquanto forem apartidárias, ou seja, sem bandeiras de partidos e tal. Contra o sistema pura e simplesmente. Mas, sem querer polemizar, essa história de cantar o hino nacional de costas no jogo do Brasil só pode ser palhaçada.
Quer dizer, se o cidadão aceita pagar uma nota preta pelo ingresso ele está sendo conivente com a roubalheira toda, da mesma forma que o cara que compra CD pirata na esquina financia o tráfico de drogas.
Resumindo, é pura hipocrisia.
Pensem bem, o Castelão (estádio do jogo Brasil e México, alvo da manifestação na hora do hino) tem capacidade para 60 mil pessoas e é praticamente certo que lote. Só com ingressos a Fifa (e somente ela, pq os ingressos foram isentados de impostos) recebe 12 milhões de reais. Isso considerando que cada ingresso custe 200 reais e, sabemos bem, tem muitos por preço maior.
Fora a alimentação dentro do estádio, que além de custarem os olhos da cara, são só de parceiros da Fifa que, adivinhe só, também são isentos de impostos.
Na minha opinião a coisa mais coerente seria simplesmente boicotar tudo isso… não ir nos jogos, não comprar bonequinhos, camisetas…
A melhor coisa seria não dar os lucros que a Fifa e seu parceiros estão esperando do povo brasileiro.

O Brasil seria melhor com o #PSDB ?

Nas redes sociais é praticamente um esporte criticar o governo do PT. De fato tem mesmo muito que se criticar.

Só espero que não tentem me fazer acreditar que o PSDB é o remédio para os problemas do Brasil porque é isso é pura criancice.

A solução, infelizmente, é isso que a maioria dos jornais chama de vandalismo. Toda essa manifestação trouxe a tona duas coisas:

A primeira delas é forma truculenta como o governo tucano trata as manifestações sociais. Para quem acha que esse foi um problema pontual, e não uma política de governo, tente se lembrar do governo Álvaro Dias, aqui no Paraná, e do episódio envolvendo professores e cavalos. O dia 30 de agosto de 1988 foi tão marcante que até hoje as escolas estaduais param nesse dia.

A segunda coisa que vem a tona é a maneira branda como a mídia trata as cagadas dos governos PSDB, refletida claramente quando trata a manifestações dos jovens de São Paulo como simples vandalismo, ignorando num primeiro momento o despreparo da polícia no trato da manifestação. Só mudaram de posição quando viu que o povo não tava engolindo.

Daí vem meu questionamento: A corrupção hoje no país é maior que na era FHC ou é apenas a mídia que está mais a vontade para divulgar?

Não estou me colocando a favor do PT, afinal, roubo é roubo e tem que ser punido. Apenas proponho a reflexão: Com o PSDB seria melhor?

Segue um relato de quem estava no meio da muvuca <http://ronaldobressane.com/2013/06/14/por-gentileza-tirem-geraldo-alckmin-do-poder/>