O Açaí é nosso. É?

Por LÚCIO FLAVIO PINTO, colunista do Yahoo! | Original em http://colunistas.yahoo.net/posts/4448.html

O roubo de sementes de seringueira é apresentado até hoje como o mais grave caso de biopirataria da história da Amazônia. O inglês Henry Wickham, que ganharia título de nobreza pela façanha, é acusado de contrabandear para a Inglaterra duas toneladas de sementes da Hevea Brasiliensis.

Aclimatadas em Londres, foram plantadas na Ásia. O plantio deu tão certo que a Amazônia, fornecedora monopolista de borracha na transição do século 19 para o 20, foi para o rabo da fila dos produtores e nunca mais recuperou a antiga posição. O Brasil deixou de ser auto-suficiente e a Amazônia nem é produtora significativa no mercado interno. Tudo por culpa de um inglês astuto e imoral.

A indignação de hoje é a mesma de quase um século atrás, quando as colônias asiáticas das potências européias passaram a inundar o mundo com borracha incomparavelmente mais barata e abundante.

Na verdade, não houve contrabando. Wickham despachou a carga pelos meios legais e até patrocinou um convescote antes do embarque, em Belém, com a presença de autoridades e pessoas gradas da sociedade local. Há provas suficientes e convincentes do fato. Mas se a Inglaterra, a maior potência da época, precisasse roubar as sementes, certamente não se inibiria.

A quantidade e os preços da borracha amazônica eram incompatíveis com a escala de desenvolvimento que a indústria estava em condições de seguir. O que a empacava era a crise de oferta e os valores abusivos cobrados em função do monopólio. Os brasileiros até desdenharam a empreitada de Wickham. A árvore da borracha não era nativa da região? Como podia dar melhor em outro lugar? Impossível.

Não era, provou a história, reconstituída com lucidez pelo americano Warren Dean no já clássico “A Luta pela Borracha no Brasil”. Se a natureza foi pródiga (mas também caprichosa) na tessitura do ambiente físico na Amazônia, foi fatal em relação à Hevea Brasiliensis. A árvore atinge um porte atlético, com até 50 metros de altura, e uma fecundidade excepcional apenas nas condições naturais, dispersa no meio de muitas outras espécies.

A biodiversidade, quintessência do valor natural amazônico, hoje tão exaltada, mostrou-se fatal sempre que se tentou adensar seringueira na mata. E o adensamento era indispensável para aumentar a produção e a produtividade, sem o que ficou impossível concorrer com os plantios asiáticos.

Adensada, a seringueira é atacada pelos fungos, que a tornam estéril. Henry Ford amargou essa constatação ao formar seus plantios no vale do rio Tapajós, no Pará. Depois de 17 anos de experimentos, ao custo de muitos milhões de dólares, desistiu e foi buscar seu suprimento na Ásia. A ecologia se revelou implacável com as tentativas de enriquecimento de seringueira na Amazônia.

Qualquer pessoa minimamente informada não tem mais dúvidas a respeito. No entanto, a maioria prefere continuar a acreditar que o colapso da borracha, antes da crise do café, resultou de uma conspiração do imperialismo. As iniciativas de contar a história real também nada mais seriam do que a persistência do mesmo interesse estrangeiro, através dos seus porta-vozes mercenários.

Essa posição tem impedido a sociedade, como em outros episódios da história da Amazônia, de enfrentar e superar os problemas que cotidianamente se impõem à região. O prejuízo dessa mistificação é enorme porque a Amazônia é a mais internacionalizada das regiões brasileiras e a mais tardia na integração à nacionalidade. Sua incorporação física tem apenas meio século e ainda não está completa (de certo modo, felizmente).

O erro fatal cometido em relação à borracha pode estar se repetindo no caso do açaí. As reações dos leitores à coluna anterior, com mensagens perspicazes e provocativas, além de enternecedoras e gentis, mostram que a sociedade está a reboque dos fatos consumados. O governo vem ainda mais atrás, se é que está acompanhando a dinâmica histórica.

O descompasso entre os fatos criados pelos agentes dessa história, atuando sem coordenação e sem apoio ou regulação, pode provocar efeito – não semelhante, mas comparável – ao crack da borracha, que se seguiu, em tão curto intervalo, ao seu boom.

São numerosos e complexos os problemas que precisam de solução para evitar as previsões feitas por muitos leitores: que o açaí deixará de ser produto genuinamente amazônico (e, sobretudo, paraense) e que os maiores ganhos serão obtidos por atravessadores e comercializadores, fora dos limites regionais (e até nacionais).

É preciso, primeiro, ter uma idéia da grandeza da economia do açaí. Para o produtor, ele representa algo como R$ 2 bilhões. Colocado à mesa do consumidor, esse valor se multiplica, no mínimo, três vezes. Pode chegar a R$ 6 bilhões. Não há fruta que renda tanto.

Frutas típicas não faltam na Amazônia. Uma sorveteria se tornou célebre em Belém porque oferecia 103 sabores de sorvetes, em sua maioria de frutas nativas e únicas. É espantoso que a estrutura governamental não contemple um instituto do açaí ou de frutas tropicais. É uma fonte de receita que já é muito significativa agora e pode se tornar grandiosa nos próximos anos.

Claro que a política oficial não pode ser montada num dia para se completar no outro. O maior desafio na Amazônia é criar conhecimento científico. A dificuldade está em dispor de verba para sustentar a frente do saber tanto quanto em estabelecer uma postura adequada sobre a complexidade regional. Um conhecimento superficial é passaporte para uma atividade efêmera, conforme mostram numerosos casos do passado.

Mal circularam informações sobre o poder cicatrizante do óleo da copaíba e já eram comercializadas cápsulas a granel. O efeito tóxico do óleo, nocivo para o aparelho digestivo, se contrapôs ao seu poder curativo. Não houve pesquisa suficiente sobre os princípios ativos da essência para a formulação de um medicamento completo.
A investigação científica sobre as frutas amazônicas, e em particular o açaí, é incapaz de responder sequer às indagações feitas pelos leitores desta coluna. Menos satisfatórios ainda são os dados sócio-econômicos, necessários para montar uma base econômica, industrial e comercial para o produto.

Personagens que se encontram nas várias etapas do processamento do açaí acumulam conhecimentos específicos que lhes dão expertise e maestria no que fazem. Por isso há pessoas ganhando muito dinheiro com a exploração da palmeira – e não só para extrair o suco: há o apreciado palmito, o uso da palha, o artesanato criativo e bonito.

Do açaí, nada se joga fora. Mas o retorno é desigual e injusto: só favorece a alguns. E pode prejudicar a maioria, que aprecia tomar o vinho puro e grosso, a sua melhor forma e seu paladar superior.

Como conciliar o consumo interno com a crescente exportação? Como difundir o “verdadeiro paladar do açaí”, conforme observou um leitor, em meio a manipulações tão diversas – e legítimas, porque atendem a demandas de consumidores distintos?

Se quem pode decidir, ao invés de fazer a parte que lhe cabe, espera por decisões vindas da regulamentação automática do mercado (esta, uma ficção), dificilmente o açaí terá desfecho melhor do que o da borracha. Não por fantasias utilitárias, mas por efeito da ação – às vezes cruel – do mercado.

A propagação dos casos de doença de chagas associados – como consequência automática – ao açaí tem função invertida à do contrabando da borracha. Ao longo de séculos em que os paraenses tomaram diariamente seu vinho de açaí, a doença não existia. Hoje existe e é real. Não pelo açaí em si, mas pelo crescimento do consumo sem o acompanhamento da higiene. A pasteurização, que seria a resposta automática, esbarra no dano que causa ao melhor paladar da fruta e na cultura local.
O problema existe, a causa é clara e a solução está ao alcance. Só falta a vontade de fazer melhor. Este é o produto mais em falta na Amazônia – e no Brasil.

Spam em época de eleições

Quando se trata de trazer informação séria nós aqui do DMW bebemos das fontes que consideramos mais confiáveis, ignorando tablóides sensacionalistas e boatos sem fundamentos.

Quando colocamos coisa séria aqui (e eu sei que é raro…) indicamos a origem pra que vc tbém julgue a credibilidade.

Nestas eleições, tenho recebido diversos emails cheio de coisas sem fundamentos… quando é engraçado eu coloco aqui como piada. O problema é que a maioria é enviado como coisa séria.

Queria escrever sobre isso aki mas não encontrava as palavras certas. Pra minha sorte hoje recebi um email (o qual transcrevo abaixo) com as tais “palavras certas” em tom de desabafo:

Amigos, estou indignada com vários e-mails que tenho recebido. A maioria deles vem fazendo acusações contra os atuais candidatos às eleições 2010, sem tomar cuidado de fundamentar tais informações. Os fatos aconteceram quando? onde? como? Essas informações podem ser checadas? De que fonte foram subtraídas? O que me causa estranheza é que as pessoas simplesmente escrevem o que querem, e não tem o cuidado de informar de onde obtiveram tais dados. Todos nós sabemos que qualquer um escreve o que quer na internet. Esses cidadãos deveriam ter discernimento para saber o que é relevante ou não. Outro fato que me assusta é como alguns líderes religiosos também fazem circular esse tipo de e-mail. Pois se eles exercem uma influência gigantesca sobre as pessoas que seguem a mesma fé, deveriam atentar-se mais para enviar-lhes somente o que fosse de total confiança. Aliás, minha opinião é totalmente contra pastores e padres influenciarem no direcionamento dos votos.  Como formadores de opinião, eles tem de ter muito zelo para não serem tendenciosos. Quando fazem isso, para mim, denotam falta de sabedoria ou visam algum interesse com isso. Não estou falando nem de Dilma, nem de Serra. O que eu quero é expressar minha indignação quanto a isso.  Como se minha opinião pudesse ser formada a partir de e-mail de autores desconhecidos.  Receba e-mails, leia, reflita se realmente vale a pena mandar para os seus.

Heloisa Padilha

Sabe o que mais acho engraçado? Eu vivo recebendo fotos da Dilma com metralhadora e tal… claramente na tentativa de manchar sua imagem. Parece que esqueceram que esse mundarel de gente que vai votar nela nem tem internet em casa pra receber estas tonguisses… e que, quem tem internet, no mínimo vai desconfiar daquilo que tá lendo!

Deputado propõe que dias de jogos do Brasil na Copa sejam feriados nacionais

FONTE: YAHOO / EFE

Câmara dos Deputados está analisando um projeto de lei que, se aprovado, declarará feriados os dias em que houver jogos da seleção pela Copa do Mundo.

A iniciativa é do deputado Felipe Bornier (PHS-RJ), que acredita que a medida pode contribuir para despertar o nacionalismo na população, já que considera o Mundial o “acontecimento máximo de celebração da unidade e de fortalecimento da identidade nacional”.

O deputado lembrou que nos dias em que a seleção entra em campo, as ruas ficam desertas e que o comércio mantém as portas “semifechadas”. Com o projeto, segundo ele, a intenção é apenas oficializar algo que já acontece na prática em todo o país.

A proposta será estudada pelas comissões de Educação e Cultura, de Turismo e Esporte e de Constituição e Justiça da Câmara, e, caso receba sinal verde, poderá ser aprovada sem necessidade de passar pelo plenário do Congresso.

Gosto de folga no trabalho em dias de Copa… seria hipócrita que fosse contra o projeto. Só não gostei da parte que ele fala em “oficializar algo que já acontece na prática”… Daqui a pouco criam uma norma que autoriza político a roubar, policial aceitar propina, Requião a ofender gratuitamente qualquer pessoa, O Maluf a comprar frangos a 200 reais o kilo, funcionários levar caneta da empresa pra casa… etc, etc, etc.

Em resumo: Não podemos legalizar o jeitinho brasileiro das coisas… é vergonhoso!

Serra x Dilma… que a baixaria comece!

Toda a eleição era a mesma coisa… o PSDB dando uma de bonzinho e o PT metendo bala nos cara.

Engraçado como os papéis se inverteram…

E no minimo interessante ver o PSDB se rebaixando tanto…

Arrisco dizer que eles estão até indo mais baixo que o PT!

Primeiro, o jingle oficial…

Agora, a sátira…

Resumindo: É o sujo falando do mal lavado…

Serra empregaria melhor seu dinheiro mostrando é diferente do FHC…

No momento parece tentar ser igual o PT de “antigamente”. Que estratégia de campanha mais tonga!

Mano Menezes começou carreira no Iraty, do Paraná

FONTE: PARANÁ ONLINE

Uma pessoa simples, que morava no alojamento do clube com os demais atletas, saía de carro apenas como carona e gostava de assar carne ao lado do Estádio Coronel Emílio Gomes. Essas são as lembranças que Mano Menezes deixou no Iraty, clube paranaense comandado por ele na Série C do Campeonato Brasileiro 2003.

Em Irati, no interior do Estado, o novo treinador da Seleção Brasileira viveu momentos de humildade. Antes de construir carreira no mundo do futebol, também chegou a ter rotina de “operário da bola”. “Acabava o treino, ele caminhava do estádio pra casa do atleta. Era lá que o Mano morava com os jogadores, no alojamento do clube. Também não me lembro dele ter carro, pois cheguei a dar umas caronas pra ele”, recorda Hélio Salmon, 63 anos, vice-presidente do Iraty.

No comando do Azulão, Mano teve uma campanha ruim e não ficou mais que três meses. Foram quatro derrotas, um empate e uma única vitória, na despedida contra o Grêmio Maringá. Ainda assim, o povo sente saudades. “Era um sujeito bacana. Gostava de conversar com o pessoal, de falar do time e da cidade. Isso quando não assava uma carne com a gente, nas horas de folga”, conta Luiz Carlos Ramos “Bola”, 54 anos, radialista em Irati.

Pelos momentos de carne assada na precária churrasqueira ao lado do estádio do Iraty, Mano Menezes ganhou um pouco mais que amizades. “Sabe como é, com aquele jeitão gaúcho de falar, logo começamos a chamá-lo de ‘Ti e Tu’. Era inevitável deixar de apelidá-lo. Ele não sabia falar você”, diverte-se Hélio Salmon.

Camarada de todos, Mano chega a ser absolvido pela frágil campanha no interior paranaense. “Ele trouxe pro Iraty o Luizinho Netto, que era seu conterrâneo no Rio Grande do Sul. Como o projeto do clube sempre foi revelar jogadores, creio que ele cumpriu bem a missão”, analisou o radialista Bola.
Além dos amigos e dos churrascos, Mano Menezes deve guardar boas recordações do Iraty na memória. Foi contra o clube de Sérgio Malucelli que o treinador da Seleção conquistou sua centésima vitória no comando do Corinthians, durante um torneio amistoso no norte do Paraná.

Apesar de carrasco, tudo terminou em churrasco. É o que conta Geraldo Campanholi, atualmente diretor do Iraty, mas que na ‘era Mano’ era um simples torcedor. “Fizemos um borrego pra ele em Londrina. Sempre é bom ver alguém que trabalhou com a gente vencer na vida. Agora nos resta torcer por uma carreira vitoriosa com a camisa canarinho”, finaliza.