Praticando a desconfiança – Um guia prático

FONTE: OLHOMETRO

Em tempos de eleições vemos nossas caixas de email inundadas por toda a sorte de asneiras. A pergunta que fica é: Você acredita em tudo o que lê?

Sua resposta deve ter sido: “É claro que não… isso é coisa de gente alienada…”

Tenho outra pergunta… você não acredita… ok! Mas procura saber qual a verdade?

Sua resposta: “Inhé… tenho mais o que fazer…”

Leia o texto a seguir e reveja seus conceitos!

Com que freqüência você duvida das coisas que ouve? Seja dos amigos, dos seus professores, mãe e pai, televisão, jornal, revista e dos blogs que lê – quantas vezes você termina de ouvir ou ler algo e se questiona se tudo aquilo é verdade? Você tem por hábito procurar informações que contradigam as coisas em que você acredita desde sempre? Acha que isso é loucura?

Provavelmente a maioria das pessoas pensa que é confortável – e até acha correto, em certos aspectos – se acomodar em uma opinião. Sempre me disseram que acreditar em algo e defender aquilo é ter personalidade forte, caráter, não ser volúvel e nem influenciável.

Mas de alguns anos para cá, por influência da faculdade de jornalismo e do exercício da profissão, eu adquiri um novo conceito sobre o que é ter ‘personalidade forte’ (se é que isso é importante). Eu sou, com muito orgulho, uma pessoa altamente flutuante nas minhas convicções.

Quero dizer o seguinte: eu desconfio. Eu desconfio de tudo o que ouço, o que vejo, o que leio. Tenho por hábito a desconfiança. E ela é fundamental para que possamos entender que todas as estórias têm faces que que dificilmente serão exibidas se você não se der ao trabalho de ir buscá-las.

Quando eu percebo que há um interesse genuíno de alguém ou algo em me influenciar a acreditar em algo, acendo o duplo alerta da desconfiança. Se eles querem que eu acredite, então existem ainda mais motivos para duvidar.

Eu duvido pelo prazer de questionar aquilo em que eu mesma acredito. E depois duvido da dúvida que eu criei. Eu duvido das pessoas e apresento para elas, com freqüências, argumentos contrários ao que elas acreditam, e perfeitamente plausíveis, pelo prazer de ver a cabeça delas dando um nó. É uma espécie de hobbie cruel e sádico. Eu duvido às vezes sem concordar de fato com a dúvida que surgiu, só porquê acho fundamental que todo mundo se questione todos os dias sobre suas convicções, sempre. Desde muito tempo, às vezes tenho a nítida sensação de que é para isso que estou aqui: fazer com que as pessoas se perguntem sobre o que elas acreditam.

Gostou da idéia, mas não sabe por onde começar? Confira as regras de ouro da desconfiança para uma vida mais crítica e questionadora (e um pouco mais complicada, mas sem dúvida mais divertida):

  • Regra de Ouro da Desconfiança #1: quanto mais presente um assunto estiver nas manchetes e na boca do povo, mais desconfiado dele você deve ficar.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #2: se você perceber que estão tentando te convencer de algo sem que isso lhe seja dito diretamente, você tem aí o principal motivo para não se convencer desse algo.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #3: vídeos e aspas não provam nada. Pessoas mentem, erram, são imprecisas e suas declarações podem ganhar teor diferente em diferentes contextos.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #4: o Google é seu melhor amigo.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #5: Fique longe da Veja.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #6: Sério. Fique longe da Veja. E nem é discursinho pronto de estudante, ok? Não vou dizer ‘a Carta Capital sim é boa’, aliás nem tenho saco para a Carta Capital. Apenas fique longe da Veja. A revista é nojenta.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #7: Espalhe a semente da desconfiança. Conteste as convicções das pessoas ao seu redor por esporte. Mas faça tudo parecer uma grande brincadeira em uma dicussão saudável. Não queremos que você afaste as pessoas, não é?

Apenas fique atento para fugir da armadilha do niilismo. Não é negócio duvidar da própria existência, até porquê um autêntico duvidador tem a certeza de que duvida, e se duvida, logo existe.

Para todas as coisas existem não dois, mas muitos lados. E vai ser muito difícil percebê-los se a gente se acomodar nas coisas que acredita, que a gente lê na Veja, que o jornal nos diz. Duvidar não é algo simples de se fazer, porque dá um trabalhão, claro – é mais fácil engolir as coisas como estão, prontinhas. Mas eu acho que vale a pena.

De qualquer forma, você já pode começar duvidando desse texto.

Spam em época de eleições

Quando se trata de trazer informação séria nós aqui do DMW bebemos das fontes que consideramos mais confiáveis, ignorando tablóides sensacionalistas e boatos sem fundamentos.

Quando colocamos coisa séria aqui (e eu sei que é raro…) indicamos a origem pra que vc tbém julgue a credibilidade.

Nestas eleições, tenho recebido diversos emails cheio de coisas sem fundamentos… quando é engraçado eu coloco aqui como piada. O problema é que a maioria é enviado como coisa séria.

Queria escrever sobre isso aki mas não encontrava as palavras certas. Pra minha sorte hoje recebi um email (o qual transcrevo abaixo) com as tais “palavras certas” em tom de desabafo:

Amigos, estou indignada com vários e-mails que tenho recebido. A maioria deles vem fazendo acusações contra os atuais candidatos às eleições 2010, sem tomar cuidado de fundamentar tais informações. Os fatos aconteceram quando? onde? como? Essas informações podem ser checadas? De que fonte foram subtraídas? O que me causa estranheza é que as pessoas simplesmente escrevem o que querem, e não tem o cuidado de informar de onde obtiveram tais dados. Todos nós sabemos que qualquer um escreve o que quer na internet. Esses cidadãos deveriam ter discernimento para saber o que é relevante ou não. Outro fato que me assusta é como alguns líderes religiosos também fazem circular esse tipo de e-mail. Pois se eles exercem uma influência gigantesca sobre as pessoas que seguem a mesma fé, deveriam atentar-se mais para enviar-lhes somente o que fosse de total confiança. Aliás, minha opinião é totalmente contra pastores e padres influenciarem no direcionamento dos votos.  Como formadores de opinião, eles tem de ter muito zelo para não serem tendenciosos. Quando fazem isso, para mim, denotam falta de sabedoria ou visam algum interesse com isso. Não estou falando nem de Dilma, nem de Serra. O que eu quero é expressar minha indignação quanto a isso.  Como se minha opinião pudesse ser formada a partir de e-mail de autores desconhecidos.  Receba e-mails, leia, reflita se realmente vale a pena mandar para os seus.

Heloisa Padilha

Sabe o que mais acho engraçado? Eu vivo recebendo fotos da Dilma com metralhadora e tal… claramente na tentativa de manchar sua imagem. Parece que esqueceram que esse mundarel de gente que vai votar nela nem tem internet em casa pra receber estas tonguisses… e que, quem tem internet, no mínimo vai desconfiar daquilo que tá lendo!