Nova linha ligeirão Bairro Novo pode beneficiar população da região sul de Curitiba

Quem passa todos os dias ao final da tarde pela praça Rui Barbosa se depara com enormes filas de usuários da linha Bairro Novo. No entanto, pequenas intervenções em alguns pontos no pinheirinho e no sitio cercado permitem a criação de nova linha expressa, que beneficiaria sobremaneira os usuários da citada linha de ligeirinho.

A proposta seria a criação de nova linha de ligeirão, que percorreria trechos de canaleta já existentes na avenida Floriano Peixoto, linha verde e do circular sul na região do sitio cercado. É proposto também a criação de nova faixa exclusiva nas ruas Tijucas do Sul e Guaçui. Na confluência desta com a Eduardo Pinto da Rocha propõe-se também a instalação de novo terminal, conectando linhas da região e beneficiando os novos moradores de condomínios populares da região.

A proposta da nova linha está disponível em PDF no link abaixo:

https://dicmouer.files.wordpress.com/2014/10/ligeirao-bairro-novo.pdf

 

O efeito boomerang da bala de borracha

Governos treinaram na Amazônia e nas periferias a repressão e a violência que hoje se vê nas cidades. É preciso ir para as ruas recuperar a democracia representativa.

Por Felipe Milanez

Alguns anos atrás, a geógrafa Bertha Becker disse numa entrevista à National Geographic Brasil que a Amazônia é uma fronteira. Segundo ela, “lá é possível observar as tendências mais recentes em curso no mundo.” Tendência, uma palavra da moda, serve para indicar as transformações. Segundo Bertha, na Amazônia as grandes transformações mundiais são mais fáceis de ser percebidas do que no Rio de Janeiro e São Paulo, pois nessas cidades “a complexidade da vida social, econômica e política é tão grande, entremeada de tantas informações, que é difícil captar algum rumo novo.”

Essa ideia da “tendência” pioneira na Amazônia pode ajudar a explicar de onde vem a violência na repressão dos protestos e movimentos sociais. A bala de borracha que cega manifestantes pelo passe livre em São Paulo, o gás que asfixia quem pergunta “Copa para quem?” no Rio ou em Brasília, já eram, de certa forma, sentidos em Altamira e em Porto Velho, no Sul do Pará, espalhando-se pelo Mato Grosso do Sul, Oeste do Paraná, e o país afora. Agora, chega nos centros dessa massiva urbanização que é o país.

Treinar a repressão e a violência na colônia, fronteira ou periferia, para depois utilizar na metrópole, ou no centro, é uma estratégia antiga do mundo colonial. Se o Brasil livrou-se de Portugal, o mesmo faz internamente na Amazônia. Saqueia os recursos e oprime a população local. O filósofo francês Michel Foucault chamou isso de “efeito boomerang”.

A ideia de Foucault (que ele desenvolve a partir do trabalho de Hannah Arendt sobre o totalitarismo) é que o Ocidente treinava nas colônias os aparatos de repressão, instituições e técnicas de poder, que depois eram utilizados em suas colônias internas, contra a própria população. Como a França praticou em Algiers, depois em Paris.

Ridicularizar os 0,20 centavos no aumento da passagem é como Lula havia ridicularizado o delicioso, e importantíssimo para biodiversidade cultural da vida aquática amazônica, peixe dourada (brachyplatystoma rousseauxii) do rio Madeira.

Durante o processo de licenciamento ambiental das usinas Santo Antônio e Jirau em 2007 (o “Complexo Madeira”, que inclui outras usinas que o governo quer construir), Lula havia ironizado a possibilidade de um “bagre” impedir uma usina e o progresso do país. “Agora não pode por causa do bagre, jogaram o bagre no colo do presidente. O que eu tenho com isso?”

As usinas foram enfiadas goela abaixo da população, ao contrário do prometido por Lula, que dizia que tudo seria negociado e previamente informado. Denúncias de corrupção agora inundam Porto Velho, e o desmatamento explodiu na região, Jacy Paraná, cidade dormitório onde Jirau está sendo construída, tornou-se extremamente violenta, com grupos de extermínio matando lideranças locais (sempre com impunidade, como no caso de Osmar Lima dos Santos, assassinado em novembro de 2009, tesoureiro da associação comunitária), epidemia de crack, prostituição infantil. Pescadores e povos indígenas sofrem e já não sabem para quem recorrer – o Estado que deveria auxilia-los é o mesmo que destruiu suas vidas.

E quando os trabalhadores revoltaram-se pelas terríveis condições de trabalho, em março de 2011, lá foi a Força Nacional e a Polícia Militar testar como reprimir, amedrontar, partir com violência para intimidar protestos políticos. Era o teste. “Vim aqui para trabalhar, mas tratam a gente como presidiário”, me disse um trabalhador na ocasião.

Nunca esqueço o relato de uma criança que escutei em Porto Velho. Ela tinha ouvido de um colega na escola, ameaçador: “Cala a boca senão eu vou chamar um peão de Jirau.” O “peão” é como o “punk” que a PM diz que promovem “vandalismo” em São Paulo. Os trabalhadores eram os “vândalos”, como são hoje os manifestantes nas cidades.

O bagre transformou-se em guarani e kaiowá no Mato Grosso do Sul. Virou kayapó, xikrin, arara, juruna e tantos outros no Xingu. Foi para o Tapajós, e agora o bagre é munduruku. Vão os mundurukus impedirem o progresso do país pois exigem seus direitos sobre as usinas no Tapajós? Assim seria, até o bagre também virar terena. Oziel Terena morreu, assim como Adenilson Munduruku, como bagres por balas da Polícia Federal. Impunemente. Sem palavras de perdão, desculpas ou lamentos pelo ministro José Eduardo Cardozo. Apenas lacônicas promessas de “investigação” – como se fosse preciso prometer investigar o que a lei obriga que seja investigado e punido.

O último “bagre” foi Celso Rodrigues Guarani Kaiowá, da aldeia Paraguassú, em Paranhos, assassinado por um pistoleiro que cobrou 600 reais por sua vida, semana passada, no Mato Grosso do Sul. Suspeitas recaem sobre o dono da fazenda Califórnia (que nome!). Os kaiowá lutam para retomar a Califórnia, entre tantas outras fazendas na região que invadiram seus territórios. São os bagres dos sojeiros, pecuaristas e usineiros.

Quem se revolta pelo aumento das passagens em São Paulo porta-se como um bagre do rio Madeira, como um munduruku, um guarani, um kayapó. Não adianta criticar o governo que incentiva a indústria automobilística e o consumo de carros, mas que considera subsídio indevido e abusivo investir no transporte público para a massa, para o cardume da população.

A situação é complexa. Quem luta pela democracia, hoje, é a “minoria”. Assim como o PSDB não larga o poder em São Paulo há anos, promovendo tragédias e repressões extremamente autoritárias e violentas como foi o caso do Pinheirinho, periferia de São José dos Campos, em janeiro de 2012, também no plano federal (PT e coligações), quem é eleito pela maioria governa de forma autoritária promovendo uma política semelhante de repressão.

Como pode um governo democrático, eleito pela grande maioria do país, recusar-se a ouvir um povo indígena que será afetado por uma série de projetos hidrelétricos em suas terras? A revolta dos munduruku é a defesa da democracia. A revolta dos terenas, dos guaranis e kaiowas no Mato Grosso do Sul, é a defesa da democracia e do Estado de Direito contra a pistolagem ruralista. “Os índios protestam nacionalmente”, disse o antropólogo Carlos Fausto em entrevista aqui no blog. “Isso tudo foi para lembrar que Belo Monte é aqui. E que aqui todo mundo é índio, exceto os de sempre.”, escreveu o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro no twitter (@nemoid321).

A luta em São Paulo pelos 0,20 centavos é a luta pela democracia. Pela democracia que deveria ser representativa. A “minoria” de jovens que luta pela democracia dos transportes público para a “maioria” da população – “minoria” e “maioria” são ideias cada vez mais complicadas, ainda mais em um país onde 200 deputados representam 1% dos detentores de terras, que têm em suas mãos metade do país e se dizem “produtores” (mas não se sabe produtor do quê, se é de álcool para o transporte privado, de ração para porcos na China ou de gado para o Irã).

Essa sim uma verdadeira minoria, o 1% que decidiu criar uma lei em benefício próprio e que incentiva a destruição de florestas, o “Código Florestal”. E que vaiaram nesse mesmo dia da votação, como em um espetáculo fascista, o anúncio da morte do casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo no Congresso Nacional. Quem eles representam?

A rua hoje é legítima. Somos todos bagres. Somos todos índios. Somos todos a favor do transporte público. E o uso da força, da bala de borracha, do gás, é mais um ataque a democracia e ao Estado de Direito. E mais um ataque à socio-cultural-bio-diversidade que colore o Brasil, e que está sendo asfixiada, desmatada e barrada.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-milanez/o-efeito-boomerang-da-bala-de-borracha-7510.html

O Brasil seria melhor com o #PSDB ?

Nas redes sociais é praticamente um esporte criticar o governo do PT. De fato tem mesmo muito que se criticar.

Só espero que não tentem me fazer acreditar que o PSDB é o remédio para os problemas do Brasil porque é isso é pura criancice.

A solução, infelizmente, é isso que a maioria dos jornais chama de vandalismo. Toda essa manifestação trouxe a tona duas coisas:

A primeira delas é forma truculenta como o governo tucano trata as manifestações sociais. Para quem acha que esse foi um problema pontual, e não uma política de governo, tente se lembrar do governo Álvaro Dias, aqui no Paraná, e do episódio envolvendo professores e cavalos. O dia 30 de agosto de 1988 foi tão marcante que até hoje as escolas estaduais param nesse dia.

A segunda coisa que vem a tona é a maneira branda como a mídia trata as cagadas dos governos PSDB, refletida claramente quando trata a manifestações dos jovens de São Paulo como simples vandalismo, ignorando num primeiro momento o despreparo da polícia no trato da manifestação. Só mudaram de posição quando viu que o povo não tava engolindo.

Daí vem meu questionamento: A corrupção hoje no país é maior que na era FHC ou é apenas a mídia que está mais a vontade para divulgar?

Não estou me colocando a favor do PT, afinal, roubo é roubo e tem que ser punido. Apenas proponho a reflexão: Com o PSDB seria melhor?

Segue um relato de quem estava no meio da muvuca <http://ronaldobressane.com/2013/06/14/por-gentileza-tirem-geraldo-alckmin-do-poder/>

Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba precisa de ração

A Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC) precisa com urgência de ração para alimentar os cães e gatos que abriga, pois o estoque está no final. Quem puder ajudar basta levar à doação ao local, que fica na Rua Professora Sandalia Monzon, 113, no bairro Santa Cândida. Funciona de segunda à sexta, das 9h às 21h, e no sábado das 9h às 15h.

Para fazer doação em dinheiro a conta é 15283-4, agência 8616, Banco Itaú.Titular: Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba, CNPJ: 75.126.474/0001-83.

Fonte: Gazeta do Povo

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Homem Vertente é certeza de frustração no #festcuritiba

Noite de sexta-feira, indo com minha amada no Ópera de Arame assistir a tão esperada peça Homem Vertente, pelo Festival de Teatro de Curitiba.

Havíamos adquirido os ingressos com grande antecedência  logo que as vendas iniciaram. Dias depois, todos as cadeiras haviam sido vendidas, ou seja, a peça prometia ser boa!

Depois, nova notícia sobre a peça. Ela seria transferida do Barigui para o Ópera de Arame que, segundo consta, seria o local ideal para este tipo de apresentação. Achei bom, já que fiquei pensando o que fazer se caso chovesse… isso faria parte do roteiro? eles contavam com as constantes chuvas da cidade? Bom, enfim…

Na semana anterior a apresentação recebemos e-mail,  mensagem de texto SMS e até recebi uma ligação informando que a peça tinha sido adiada. Até aí beleza, afinal, problemas acontecem e a organização do evento mostrou respeito ao consumidor ao se certificar que este estava ciente das alterações de agenda. Segundo foi divulgado, a mudança aconteceu por problemas hidráulicos. A organização do evento deu as opções de pegar o dinheiro de volta ou ir em outra data. Optamos pela segunda opção, já que a peça é a menina dos olhos do Festival… prometia ser boa!

Quinta-feira, dia do espetáculo! Tudo programado para ir assistir até que, no meio da tarde nova mensagem SMS: Peça adiada novamente! Que saco! Acessei o site oficial do Festival pra me certificar que não tinha sido um trote… nada! Só tive certeza pelo site da Gazeta do Povo … Bom… pelo menos me avisaram…

Sexta-feira… depois de tantos adiamentos tive que dar uma googlada pra me certificar que nenhum imprevisto tinha acontecido. Parece inacreditável que uma peça que estava sendo montada desde novembro tenha tantos problemas.

Encontrei uma nota da organização. O espetáculo que, a princípio tinha 50 minutos passou a ter 20 de duração! Como? Será que a peça tem uma história tão inconsistente que pode ser resumida pela metade sem problemas? Será que ela tem alguma história? Bizarro isso! A nota ainda informa que “a medida foi tomada em decorrência de avaliação preventiva realizada em um dos motores utilizados para a sustentação dos atores nos números aéreos. Foram detectados desajustes que poderiam acarretar incidentes durante o uso intenso no espetáculo.”

Primeiro problemas hidráulicos, depois problemas no motor… será que um afetou o outro? Bem… acredite ou não eu ainda queria ver a apresentação.

Finalmente, noite de sexta-feira… e é aí que o copo de frustração transbordou!

Logo na rua do teatro somos abordados por flanelinhas nos indicando estacionamento… passei direto, já que sabia que tinha um espaço público para deixar o carro na frente do farol das cidades, há poucos metros do Ópera. Chegando neste espaço, meus olhos são tomados pela mais intensa escuridão. Não dava pra ver um palma na frente do carro… e ele estava com as lanternas ligadas! O poste de iluminação estava simplesmente apagado.

Falta grave não só da organização do evento mas, principalmente, da Prefeitura de Curitiba, não só por se tratar de um espaço público, como por ser patrocinador do Festival. Eles simplesmente não se preocuparam com onde o público ia deixar seus veículos. Na minha opinião eles deveriam se certificar que o local oferecia segurança.

Daí é aquela velha história… onde o poder público falta, a bandidagem toma conta!

Como obviamente eu não ia deixar meu carro naquela escuridão (habitada, diga-se de passagem, por um único carro, bem no canto, com vidros fumê, certamente se aproveitando da penumbra…)  fui procurar os estacionamentos pagos. O preço… 20 reais! Isso mesmo… faça as contas: Você vai assistir uma peça de 20 minutos, logo vai deixar o carro estacionado por 20 minutos… sim… você estará pagando pelo estacionamento 1 real POR MINUTO!

Quando via aquelas pessoas, no meio da rua, me convidando a adentrar em seus estacionamentos (que duvido que tivesse seguro…) é como se eu ouvisse “vem aqui seu trouxa”. Eu sinto que ouço isso sempre que vou em lugares como o Parque Barigui, Jardim Botânico e outros tantos espaços tomados por flanelinhas, sempre prontos a riscar nosso carro se a gente não paga o que pedem… mas isso é uma outra história!

O pior mesmo é ter a leve suspeita de que essas mesmas pessoas que me convidaram a entrar em seus estacionamentos tenham dado cabo da iluminação do farol das cidades. É como quando, dez metros depois de passar em frente a uma borracharia, o pneu de seu carro estoura por causa de uma madeira, cheia de pregos, inocentemente posicionada no meio da rua.

A extorsão está em quase todas as esquinas, e nossos governantes são coniventes com isso. E pior, nós, meros cidadãos, somos coniventes com isso! Sim… porque, você que lê este relato, acha que os estacionamentos particulares estavam vazios? Que nada… todos lotados. Muita gente aceitou pagar os vintão!

Enfim, resolvi ir embora… achei absurdo pagar tanto por tão pouco. Depois vou tentar recuperar o dinheiro do meu ingresso. Se não conseguir, este texto ganhará mais algumas linhas.

Indo embora, vendo aquela fila imensa de gente tentando entrar no teatro, pensei no seguinte: Será que toda essa gente sabe que a peça vai ter só 20 minutos? Eu mesmo só sabia disso graças à googlada de horas atrás. Acho que vão ficar tristes!

Pra finalizar, um pequeno clichê: Se Curitiba é assim no Festival de Teatro, imagine na Copa!

 

PS: Sobre o espetáculo? eu não vi… mas segue abaixo algumas opiniões (do Twitter):

Thiago Pires ‏@thgops
Pessoal do #festcuritiba não assistam o homem vertente, está uma porcaria, troque por outra peça, não vale a pena. #chatiado #frustrado

Gabriele Garbin ‏@gabrielepgc
@AmandaGodoi no Homem Vertente cancelaram a parte aérea da peça, que durava 30min, assim ela ficou reduzida a meros 20min, foi trailer… Rs

Douglas E Carvalho ‏@oakbarreldoug
Homem Vertente no @Fest_Curitiba = ir ao cinema e ver o trailer bem legal do filme que vc comprou ingresso! Só 20min de água é sacanagem!

Gabriele Garbin ‏@gabrielepgc
É os jatos de água de Homem Vertente funcionaram e foi show, mas se eu soubesse não teria saído de casa pra ver 20min de peça e pagando…

Ser curitibano ‏@curitibanice
Essa peça tá mais pra Homem Yakult: quando começa a ficar bom, acaba. Homem Vertente, tente de novo

Gabriele Garbin ‏@gabrielepgc
Resumo de Homem Vertente no @Fest_Curitiba: 1h aguardando na fila pra entrar, 30min de atraso e 20 min de peça!

Thiago Pires ‏@thgops
@Fest_Curitiba O homem vertente está atrasado, entupido de gente e incompleto; um verdadeiro pedaço de merda!

Elana Borri ‏@elanasb
“Homem Vertente” com meia hora de atraso NO MINIMO

Ricardo Pereira ‏@Ricardo_alx
Plateia vaiando anúncio do espetáculo Homem Vertente, que nao terá os números aéreos e começará com 30 minutos de atraso.

 

A guerra e a paz de Gustavo Fruet

Do blog CAIXA ZERO da GAZETA DO POVO

Gustavo Fruet foi ontem de bicicleta da Câmara até a prefeitura. Belo gesto, não há dúvida. Ainda mais se lembrarmos que a maioria dos homens públicos por essas bandas gosta mesmo é de carros de corrida, helicópteros e veículos blindados. Melhor ainda teria feito se fosse de busão, um sistema muito mais importante para centenas de milhares de pessoas e que exige melhorias imediatas. Mas os cicloativistas, na maioria de classe média alta, têm mais poder de mobilização do que os passageiros do Alferes Poli. Fazer o quê? Políticos vivem de agradar seus grupos de pressão.

Sensato, cordato, pacífico, Fruet é um diplomata nato. Sabe agradar. Mesmo sendo milionário e agora prefeito de uma grande cidade, continua com cara de paisano, o típico sujeito que você pode encontrar ao dobrar a esquina de casa. Faz bem em participar dos ativismos da classe média? Claro. Defender animais de rua, pedalar pela cidade ou fazer declarações sobre os direitos do urso panda serão sempre atitudes bem-vindas. E, nisso, Fruet certamente será exemplar, o que não é pouca coisa. Todos sabemos o que quatro anos de requianismo trazem de feridas a ser costuradas.

Mas ser prefeito de uma cidade cheia de problemas exige muito mais do que cordialidade. Exige enfrentamento. Fruet terá pela frente, como ele mesmo ressaltou, o desafio de melhorar o transporte coletivo. Isso ao mesmo tempo em que terá de manter a tarifa a um preço razoável. Para isso, precisará ver a fundo as contas do baronato das empresas de ônibus. Será ele o homem certo para a função? Esqueça o fato de Fruet ter se aliado a Osmar Bertoldi, dono de uma das empresas de ônibus da cidade. Pense só no tipo de conflito que isso representa.

Este, é claro, é só um exemplo de tarefa difícil para os próximos quatro anos. Há ainda o ICI e seus interesses. Há as grandes empreiteiras, que ganham com viadutos estaiados de R$ 94 milhões e que ganharão muito mais com o bilionário metrô. Há os 38 vereadores, não nos esqueçamos. Há os partidos aliados, ávidos pelo poder que tanto desejaram. Fruet não poderá agradar a todos, nem foi para isso que a população o elegeu. E fazer uma cidade melhor exige confrontos. Exige fazer descontentes.

Durante a eleição, Fruet respondeu a essa pergunta numa sabatina que promovemos na Gazeta. Perguntei sobre a experiência dele no PMDB: Requião o confrontou, e Fruet virou tucano. No PSDB, Richa virou o cacique e o boicotou: Fruet ficou até o fim, para lutar pelo partido? Não, virou trabalhista. Seria uma aversão ao confronto? Fruet respondeu longamente, dizendo que era sim um homem de comprar as brigas necessárias. Citou o mensalão, quando ajudou a cassar quatro envolvidos. O caso do deputado da motosserra. E as próprias brigas internas do partido.

Ok: todo mundo tem direito a crédito. Todos veremos agora como o novo prefeito se comporta. Será o caso de pegar o Circular Sul daqui a quatro anos e ver como ficaram o Osternack, o Pantanal, o Xapinhal e o Bairro Novo. Se o ônibus e as vilas estiverem na mesma, a promessa de mudança terá sido em vão. Esperemos que o modo de ir à posse, por mais que seja elogiável, não tenha sido o gesto mais ousado do novo prefeito. Afinal, todos queremos um bom 2013.

Texto de Rogério Galindo

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/caixazero/?id=1332263&tit=a-guerra-e-a-paz-de-gustavo-fruet