O resumo do debate na Globo ( ou Anatomia de um Debate – Parte final )

Vivemos na sociedade da informação mas as pessoas simplesmente tem preguiça de usar o Google para buscar a veracidade das coisas que veem na própria internet.

A seguir vejam o resumo do debate de ontem na Globo produzido por Paulo Villaça (https://www.facebook.com/pablovillaca01?fref=nf ) intitulado “Anatomia de um Debate – Parte Final”. Além de tecer comentários sobre o que foi dito na ocasião teve a manha de linkar cada ponto tratado no debate.

Particularmente, tem coisas que eu também não sabia!

Segue …

É preciso aplaudir a consistência de Aécio Neves: se mentiu descaradamente no primeiro debate deste segundo turno, mentiu descaradamente também no último. Aliás, foi além: chegou ao cúmulo de acusar o governo federal pela falta d’água em São Paulo, quando até a ONU fez relatório atribuindo a responsabilidade ao governo tucano do estado.(http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1508504-falta-de-agua-e-culpa-do-governo-de-sp-afirma-relatora-da-onu.shtml )

Aliás, como disse Cynara Menezes: a sorte de Dilma nos debates é que o armário de Aëcio e dos tucanos é repleto de esqueletos; já a sorte de Aécio é que Dilma não tem uma boa oratória: apresenta os dados e os argumentos, sim, mas gagueja e às vezes se perde na construção das frases – uma característica de quem não é político profissional e, portanto, não criou o hábito de participar deste tipo de evento.

Por outro lado, Aécio mais uma vez repetiu inúmeras vezes que Dilma não deveria citar os governos passados de FHC e dele, Aécio, pois é melhor “olhar pra frente”. Aliás, ele chegou a dizer que – pasmem – “quem olha para o passado é porque não quer olhar pro presente e quer fugir do futuro”. A máxima inventada por Aécio vai no oposto do que qualquer historiador diria: que olhar para o passado é FUNDAMENTAL para avaliarmos o presente e evitarmos repetir erros antigos. Além disso, Aécio não quer olhar pra trás porque sabe que, se olharmos, ele se lasca.(http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82131) Curioso, também, é que Aécio é o primeiro a olhar pra trás quando acha que isso lhe convém pra atacar a adversária.

Já no início do debate, Aécio citou a “denúncia” de Veja (que não contém uma linha de prova pra justificar as graves acusações da capa) e disse que o PT queria censurar a revista ao dizer que vai processá-la. Em primeiro lugar, “censurar” seria exigir a retirada da revista das bancas e impedi-la de continuar funcionando; o que Dilma afirmou é que vai PROCESSAR a revista (https://www.youtube.com/watch?v=th857UxUe8Y) – como é seu DIREITO fazer por ter sido acusada sem provas.

Para piorar, Aécio falar de censura é como a Magali falar de melancia, já que seu governo em MG é NOTÓRIO por calar jornalistas – e eu mesmo já fui vítima de seu espírito censor. (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-funciona-o-trafico-de-noticias-da-imprensa-mineira-censurada/)(https://www.youtube.com/watch?v=3rfPwnJ9iE4 )( https://www.youtube.com/watch?v=BixdPe_Jqxw )

A partir daí, Aécio disparou nas mentiras, oscilando entre a estratégia de reforçar velhos mitos propagados pelo PSDB (como aquele que diz que FHC controlou inflação que era de 900%)(http://www.revistaforum.com.br/blogdaeconomiapolitica/2014/10/12/mentira-psdb-sobre-inflacao-periodo-de-fhc/ ) e divulgar novos, como ao afirmar que os investidores estrangeiros perderam a confiança no Brasil – sendo que justamente o economista Luiz Carlos Mendonça, ex-ministro de FHC, desmentiu esta falácia ao escrever recentemente que “o Brasil teve uma demanda de US$ 4,8 bilhões para a emissão de US$ 500 milhões de títulos de dez anos de prazo anunciada há poucos dias (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcarlosmendonca/2014/09/1511233-o-brasil-nao-e-a-venezuela.shtml ).

Aproveitando-se da situação em que as ofertas de compra representaram mais de nove vezes o valor da emissão, o Tesouro vendeu um total de US$ 1 bilhão, pagando juros anuais de 3,88%, ou seja, 1,4 ponto percentual mais do que o título equivalente do Tesouro americano.”

A seguir, Aécio veio com o papo do “aparelhamento” do Estado pelo PT – outro mito que os tucanos gostam de repetir tanto que até mesmo petistas acabaram comprando como sendo verdade. Porém, não é bem assim, já que os dados apontam, inclusive, uma melhor neste sentido em relação aos governos anteriores.( http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade/ )( http://brasildebate.com.br/aparelhamento-do-estado-mito-ou-verdade-parte-2/) Por outro lado, Aécio chegou até mesmo a empregar lei delegada para empregar PARENTES seus no governo de MG.( http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/07/aecio-usa-lei-para-contratar-parentes-no-governo-de-mg-6376.html )

Ao entrarmos no ponto seguinte do debate, Educação, já pude ouvir os gritos indignados dos professores mineiros diante dos absurdos ditos por Aécio. E não é para menos: para começo de conversa, Aécio processou a SINDUTE, que representa os professores estaduais, nada menos do que 23 VEZES para impedi-los de denunciar na TV os abusos aos quais eram submetidos pelo governo.( http://www.redebrasilatual.com.br/eleicoes-2014/professores-mineiros-vao-as-ruas-denunciar-gestao-de-aecio-neves-como-governador-6565.html ) Aliás, até o El País fez uma matéria expondo o caos da Educação em MG.( http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-el-pais-foi-a-minas-investigar-o-legado-de-aecio-na-educacao/ ) Não que os próprios professores mineiros já não tenham alertado o país várias vezes para a destruição causada por Aécio na Educação de MG. Pois o fato é que Aécio não pagou nem o PISO SALARIAL aos professores – como comprova a cópia do contracheque reproduzida na Internet.( http://www.viomundo.com.br/denuncias/professores.html ) Isto, claro, para não esquecermos que até MOTEL está sendo usado como sala de aula pelos alunos.( http://www.viomundo.com.br/denuncias/mehor-educacao-brasil-tem-alunos-ensino-basico-frequentando-escola-que-fica-em-predio-que-foi-de-motel.html )

O tema seguinte foi corrupção – e Aécio tenta posar de honesto. A questão é que – denúncias insanas de Veja à parte (que já foram até desmentidas pelo advogado do tal doleiro)( http://oglobo.globo.com/brasil/veja-doleiro-diz-que-dilma-lula-sabiam-de-tudo-14341970#ixzz3H1iuZFQv ) – não há denúncia envolvendo Dilma PESSOALMENTE, mas há várias envolvendo Aécio, desde o aeroporto construído no terreno de sua família (e, ao contrário do que ele afirma, o PGR só arquivou denúncia sobre ilícito em esfera FEDERAL, mas encaminhou a denúncia para o PGE pra apurar IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte de sua gestão)( http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/pgr-arquiva-representacao-contra-aecio-por-construcao-de-aeroporto.html ), até a recém-revelada carteira policial que Aécio usava na juventude mesmo sem jamais ter sido agente.( http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2014/10/aecio-neves-fez-carteira-policial-sem-nunca-ter-sido-agente-1807.html ) E acho fundamental que se apure o que há por trás do boletim de ocorrência que registrou descoberta de OSSADA HUMANA em fazenda de Cláudio/MG.( http://pocos10.com.br/?p=14490 )

Como se não bastasse, é fundamental lembrar que, ao contrário do que ocorreu no governo Dilma, que viu membros de seu partido serem julgados e condenados, o PSDB sempre se esforçou pra livrar os seus de julgamentos – e mesmo considerando todos os escândalos BILIONÁRIOS envolvendo tucanos, TODOS estão soltos.( http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2010/03/alguns-dos-escandalos-do-governo.html ) Aliás, aproveito para repetir o link para o post que fiz e no qual listo todas as medidas tomadas pelos governos Lula e Dilma para investigar, denunciar e julgar atos de corrupção.( https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/576172119154685 )

Em seguida, Aécio acusou o governo federal pela falta d’água em SP – algo que a ONU refutou, como já linkei lá em cima. O pior é que diretores da SABESP revelaram que receberam diretrizes do GOVERNO DE SP para – atenção – ESCONDER A SITUAÇÃO da população, o que configura estelionato eleitoral.( http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2014/10/24/por-ter-que-seguir-orientacao-sabesp-nao-revelou-crise-da-agua-antes-da-eleicao/ ) Agora imaginem se isto tivesse envolvido Dilma?

No bloco seguinte, Aécio fala em reforma política e resume o problema a acabar com a reeleição – reeleição que seu partido aprovou ao COMPRAR VOTOS(http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2014/06/16/conheca-a-historia-da-compra-de-votos-a-favor-da-emenda-da-reeleicao/ ). (E é bom lembrar que ele quer o fim da reeleição só em 2022, quando, se eleito, ele poderia ter concorrido mais uma vez, o que é muito conveniente.)( http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1529056-programa-de-aecio-defende-fim-da-reeleicao-so-em-2022.shtml )

Por outro lado, Dilma defende o fim do financiamento empresarial, o que coibiria a corrupção. (Vale dizer que, durante o debate, Aécio tentou confundir os eleitores ao trocar “financiamento empresarial” por “financiamento privado”, que são coisas completamente diferentes.) Lembrando também que Dilma enviou este projeto para o congresso no ano passado, mas ele foi rejeitado – daí seu esforço para fazer um plebiscito.( http://www.cartacapital.com.br/politica/plebiscito-da-reforma-politica-e-prioridade-de-dilma-no-inicio-de-2015-8088.html ) O mais grave: Aécio tentou culpar DILMA pelo fato de nenhum tucano ter sido condenado, dizendo que ela estava no governo e poderia ter mandado investigar – ou seja: num ato falho, Aécio revelou não ver problema no USO POLÍTICO DA POLÍCIA FEDERAL, algo que Dilma não fez.

A partir daí, o nível de cinismo de Aécio começou a escalar. Primeiro, ao dizer que defendia dignidade aos trabalhadores do campo, sendo que ele foi o único dos principais candidatos a não assinar a carta-compromisso contra o trabalho escravo.( http://www.guiaglobal.com.br/noticia-por_que_aecio_nao_assinou_o_compromisso_contra_o_trabalho_escravo-6657 )

Minutos depois, Aécio posou de bom administrador e falou de seu famoso “choque de gestão”. Esqueceu só de mencionar que este “choque” QUEBROU Minas Gerais, que hoje tem uma das maiores dívidas públicas do país, tendo sido até alvo de matérias no exterior sobre o caos provocado no estado.( http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/20/politica/1413825305_366624.html ) E o mais hilário: na mesma resposta, afirmou que o Plano Real foi o “maior programa de redistribuição de renda do país”. Errado.( https://twitter.com/pablovillaca/status/522201840730243072 )

(Aliás, logo depois de Aécio dizer que o país estava quebrado, houve um intervalo no debate e o Jornal da Globo anunciou matéria sobre “recorde de compras dos brasileiros no exterior”. Claro que alguns quiseram dizer que isso era por ser mais barato comprar lá fora, ignorando que, sem dinheiro, não há como o turista pagar passagens e compras no exterior – especialmente com o dólar elevado em função da especulação eleitoreira feita pelo mercado.)

Logo em seguida, Aécio cometeu sua maior falha no debate: prometeu a um eleitor indeciso que faria obras de infra-estrutura nas cidades – e passou vergonha quando Dilma disse apenas: “Ele não pode fazer isso, porque a Constituição determina que isto é atribuição do município e do estado, não da União. Se ele fizesse, responderia a crime de Responsabilidade Fiscal”. Ou seja: Aécio parece não conhecer nem mesmo a CONSTITUIÇÃO. A propósito: Aécio também disse que vai reduzir a maioridade penal, o que juristas consideram como cláusula pétrea da Constituição. No entanto, se considerarmos que Aécio também defende a privatização dos presídios, surge a possibilidade assustadora de ver um candidato praticamente tratando menores como mercadoria. Como se não bastasse, há vários estudos indicando que a diminuição da maioridade penal NÃO reduz criminalidade.( http://www.portugues.rfi.fr/geral/20141024-reducao-da-maioridade-penal )( http://18razoes.wordpress.com/quem-somos/ )( http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/asneiras/gd190702.htm )( http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14107 )( http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/04/paises-que-reduziram-maioridade-penal-nao-diminuiram-violencia/ ) (http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/04/paises-que-reduziram-maioridade-penal-nao-diminuiram-violencia/ )

Para completar, Aécio citou um tal de Ministério do Desenvolvimento Econômico – que não existe – e afirmou que há mais de 7 milhões de domicílio sem banheiro no Brasil. Nope. Este número é de 2000. Hoje, são 3,8 milhões.( http://www.ibge.gov.br/english/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_da_populacao/resultados_do_universo.pdf )

Claro que para quem mora em MG, como eu, ver Aécio conseguir mentir tanto no espaço de menos de duas horas não é novidade. Mas é sempre bom alertar aqueles que não estão habituados com a figura.

Porque, como dizem por aqui, quem viveu sob o governo de Aécio não aperta 45 nem no microondas.

Uma boa eleição para todos! E, claro, a partir de agora tendo a diminuir meus posts políticos e devo me concentrar mais no Cinema (embora não abandone a política, claro). Espero poder continuar a contar com o prestígio de vocês não só por aqui, mas também lá no Twitter (http://www.twitter.com/pablovillaca )

Cantar o hino de costas? Pura bobagem!

Apoio todas essas manifestações enquanto forem apartidárias, ou seja, sem bandeiras de partidos e tal. Contra o sistema pura e simplesmente. Mas, sem querer polemizar, essa história de cantar o hino nacional de costas no jogo do Brasil só pode ser palhaçada.
Quer dizer, se o cidadão aceita pagar uma nota preta pelo ingresso ele está sendo conivente com a roubalheira toda, da mesma forma que o cara que compra CD pirata na esquina financia o tráfico de drogas.
Resumindo, é pura hipocrisia.
Pensem bem, o Castelão (estádio do jogo Brasil e México, alvo da manifestação na hora do hino) tem capacidade para 60 mil pessoas e é praticamente certo que lote. Só com ingressos a Fifa (e somente ela, pq os ingressos foram isentados de impostos) recebe 12 milhões de reais. Isso considerando que cada ingresso custe 200 reais e, sabemos bem, tem muitos por preço maior.
Fora a alimentação dentro do estádio, que além de custarem os olhos da cara, são só de parceiros da Fifa que, adivinhe só, também são isentos de impostos.
Na minha opinião a coisa mais coerente seria simplesmente boicotar tudo isso… não ir nos jogos, não comprar bonequinhos, camisetas…
A melhor coisa seria não dar os lucros que a Fifa e seu parceiros estão esperando do povo brasileiro.

O Brasil seria melhor com o #PSDB ?

Nas redes sociais é praticamente um esporte criticar o governo do PT. De fato tem mesmo muito que se criticar.

Só espero que não tentem me fazer acreditar que o PSDB é o remédio para os problemas do Brasil porque é isso é pura criancice.

A solução, infelizmente, é isso que a maioria dos jornais chama de vandalismo. Toda essa manifestação trouxe a tona duas coisas:

A primeira delas é forma truculenta como o governo tucano trata as manifestações sociais. Para quem acha que esse foi um problema pontual, e não uma política de governo, tente se lembrar do governo Álvaro Dias, aqui no Paraná, e do episódio envolvendo professores e cavalos. O dia 30 de agosto de 1988 foi tão marcante que até hoje as escolas estaduais param nesse dia.

A segunda coisa que vem a tona é a maneira branda como a mídia trata as cagadas dos governos PSDB, refletida claramente quando trata a manifestações dos jovens de São Paulo como simples vandalismo, ignorando num primeiro momento o despreparo da polícia no trato da manifestação. Só mudaram de posição quando viu que o povo não tava engolindo.

Daí vem meu questionamento: A corrupção hoje no país é maior que na era FHC ou é apenas a mídia que está mais a vontade para divulgar?

Não estou me colocando a favor do PT, afinal, roubo é roubo e tem que ser punido. Apenas proponho a reflexão: Com o PSDB seria melhor?

Segue um relato de quem estava no meio da muvuca <http://ronaldobressane.com/2013/06/14/por-gentileza-tirem-geraldo-alckmin-do-poder/>

Os 45 escândalos da Era FHC

Nenhum governo teve mídia tão favorável quanto o de FHC, o que não deixa de ser surpreendente, visto que em seus dois mandatos ele realizou uma extraordinária obra de demolição, de fazer inveja a Átila e a Gêngis Khan. Vale a pena relembrar algumas das passagens de um governo que deixará uma pesada herança para seu sucessor.

A taxa média de crescimento da economia brasileira, ao longo da década tucana, foi a pior da história, em torno de 2,4%. Pior até mesmo que a taxa média da chamada década perdida, os anos 80, que girou em torno de 3,2%. No período, o patrimônio público representado pelas grandes estatais foi liquidado na bacia das almas. No discurso, essa operação serviria para reduzir a dívida pública e para atrair capitais. Na prática assistimos a um crescimento exponencial da dívida pública. A dívida interna saltou de R$ 60 bilhões para impensáveis R$ 630 bilhões, enquanto a dívida externa teve seu valor dobrado.

Enquanto isso, o esperado afluxo de capitais não se verificou. Pelo contrário, o que vimos no setor elétrico foi exemplar. Uma parceria entre as elétricas privatizadas e o governo gerou uma aguda crise no setor, provocando um longo racionamento. Esse ano, para compensar o prejuízo que sua imprevidência deu ao povo, o governo premiou as elétricas com sobretaxas e um esdrúxulo programa de energia emergencial. Ou seja, os capitais internacionais não vieram e a incompetência das privatizadas está sendo financiada pelo povo.

O texto que segue é um itinerário, em 45 pontos, das ações e omissões levadas a efeito pelo governo FHC e de relatos sobre tentativas fracassadas de impor medidas do receituário neoliberal. Em alguns casos, a oposição, aproveitando-se de rachas na base governista ou recorrendo aos tribunais, bloqueou iniciativas que teriam causado ainda mais dano aos interesses do povo.

Essa recompilação serve como ajuda à memória e antídoto contra a amnésia. Mostra que a obra de destruição realizada por FHC não pode ser fruto do acaso. Ela só pode ser fruto de um planejamento meticuloso.

1 – Conivência com a corrupção

O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se especializou em abafar denúncias.

2 – O escândalo do Sivam

O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra.

3 – A farra do Proer

O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.

4 – Caixa-dois de campanhas

As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.

5 – Propina na privatização

A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

6 – A emenda da reeleição

O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.

7 – Grampos telefônicos

Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

8 – TRT paulista

A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.

9 – Os ralos do DNER

O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo.

10 – O “caladão”

O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD). Uma pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O “caladão” provocou prejuízo aos consumidores, às empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo.

11 – Desvalorização do real

FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava “ou eu ou o caos”. Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.

12 – O caso Marka/FonteCindam

Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.

13 – Base de Alcântara

O governo FHC enfrenta resistências para aprovar o acordo de cooperação internacional que permite aos Estados Unidos usarem a Base de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do acordo são lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de depósitos de material americano serão interditadas a autoridades brasileiras. O acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o acordo determina ainda com que países o Brasil pode se relacionar nessa área. Diante disso, o PT apresentou emendas ao tratado – todas acatadas na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

14 – Biopirataria oficial

Antigamente, os exploradores levavam nosso ouro e pedras preciosas. Hoje, levam nosso patrimônio genético. O governo FHC teve de rever o contrato escandaloso assinado entre a Bioamazônia e a Novartis, que possibilitaria a coleta e transferência de 10 mil microorganismos diferentes e o envio de cepas para o exterior, por 4 milhões de dólares. Sem direito ao recebimento de royalties. Como um único fungo pode render bilhões de dólares aos laboratórios farmacêuticos, o contrato não fazia sentido. Apenas oficializava a biopirataria.

15 – O fiasco dos 500 anos

As festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob coordenação do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL-PR), se transformaram num fiasco monumental. Índios e sem-terra apanharam da polícia quando tentaram entrar em Porto Seguro (BA), palco das comemorações. O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, é um dos denunciados pelo Ministério Público de participação no episódio de superfaturamento da construção do estande brasileiro na Feira de Hannover, em 2000.

16 – Eduardo Jorge, um personagem suspeito

Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, é um dos personagens mais sombrios que freqüentou o Palácio do Planalto na era FHC. Suspeita-se que ele tenha se envolvido no esquema de liberação de verbas para o TRT paulista e em superfaturamento no Serpro, de montar o caixa-dois para a reeleição de FHC, de ter feito lobby para empresas de informática, e de manipular recursos dos fundos de pensão nas privatizações. Também teria tentado impedir a falência da Encol.

17 – Drible na reforma tributária

O PT participou de um acordo, do qual faziam parte todas as bancadas com representação no Congresso Nacional, em torno de uma reforma tributária destinada a tornar o sistema mais justo, progressivo e simples. A bancada petista apoiou o substitutivo do relator do projeto na Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Mussa Demes (PFL-PI). Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o Palácio do Planalto impediram a tramitação.

18 – Rombo transamazônico na Sudam

O rombo causado pelo festival de fraudes transamazônicas na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, no período de 1994 a 1999, ultrapassa R$ 2 bilhões. As denúncias de desvios de recursos na Sudam levaram o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) a renunciar ao mandato. Ao invés de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.

19 – Os desvios na Sudene

Foram apurados desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A fraude consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como no caso da Sudam, FHC decidiu extinguir o órgão. O PT também questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.

20 – Calote no Fundef

O governo FHC desrespeita a lei que criou o Fundef. Em 2002, o valor mínimo deveria ser de R$ 655,08 por aluno/ano de 1ª a 4ª séries e de R$ 688,67 por aluno/ano da 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e da educação especial. Mas os valores estabelecidos ficaram abaixo: R$ 418,00 e R$ 438,90, respectivamente. O calote aos estados mais pobres soma R$ 11,1 bilhões desde 1998.

21 – Abuso de MPs

Enquanto senador, FHC combatia com veemência o abuso nas edições e reedições de Medidas Provisórias por parte José Sarney e Fernando Collor. Os dois juntos editaram e reeditaram 298 MPs. Como presidente, FHC cedeu à tentação autoritária. Editou e reeditou, em seus dois mandatos, 5.491medidas. O PT participou ativamente das negociações que resultaram na aprovação de emenda constitucional que limita o uso de MPs.

22 – Acidentes na Petrobras

Por problemas de gestão e falta de investimentos, a Petrobras protagonizou uma série de acidentes ambientais no governo FHC que viraram notícia no Brasil e no mundo. A estatal foi responsável pelos maiores desastres ambientais ocorridos no País nos últimos anos. Provocou, entre outros, um grande vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio, outro no Rio Iguaçu, no Paraná. Uma das maiores plataformas da empresa, a P-36, afundou na Bacia de Campos, causando a morte de 11 trabalhadores. A Petrobras também ganhou manchetes com os acidentes de trabalho em suas plataformas e refinarias que ceifaram a vida de centenas de empregados.

23 – Apoio a Fujimori

O presidente FHC apoiou o terceiro mandato consecutivo do corrupto ditador peruano Alberto Fujimori, um sujeito que nunca deu valor à democracia e que fugiu do País para não viver os restos de seus dias na cadeia. Não bastasse isso, concedeu a Fujimori a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, o principal título honorário brasileiro. O Senado, numa atitude correta, acatou sugestão apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e cassou a homenagem.

24 – Desmatamento na Amazônia

Por meio de decretos e medidas provisórias, o governo FHC desmontou a legislação ambiental existente no País. As mudanças na legislação ambiental debilitaram a proteção às florestas e ao cerrado e fizeram crescer o desmatamento e a exploração descontrolada de madeiras na Amazônia. Houve aumento dos focos de queimadas. A Lei de Crimes Ambientais foi modificada para pior.

25 – Os computadores do FUST

A idéia de equipar todas as escolas públicas de ensino médio com 290 mil computadores se transformou numa grande negociata. Os recursos para a compra viriam do Fundo de Universalização das Telecomunicações, o Fust. Mas o governo ignorou a Lei de Licitações, a 8.666. Além disso, fez megacontrato com a Microsoft, que teria, com o Windows, o monopólio do sistema operacional das máquinas, quando há softwares que poderiam ser usados gratuitamente. A Justiça e o Tribunal de Contas da União suspenderam o edital de compra e a negociata está suspensa.

26 – Arapongagem

O governo FHC montou uma verdadeira rede de espionagem para vasculhar a vida de seus adversários e monitorar os passos dos movimentos sociais. Essa máquina de destruir reputações é constituída por ex-agentes do antigo SNI ou por empresas de fachada. Os arapongas tucanos sabiam da invasão dos sem-terra à propriedade do presidente em Buritis, em março deste ano, e o governo nada fez para evitar a operação. Eles foram responsáveis também pela espionagem contra Roseana Sarney.

27 – O esquema do FAT

A Fundação Teotônio Vilela, presidida pelo ex-presidente do PSDB, senador alagoano Teotônio Vilela, e que tinha como conselheiro o presidente FHC, foi acusada de envolvimento em desvios de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Descobriu-se que boa parte do dinheiro, que deveria ser usado para treinamento de 54 mil trabalhadores do Distrito Federal, sumiu. As fraudes no financiamento de programas de formação profissional ocorreram em 17 unidades da federação e estão sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público.

28 – Mudanças na CLT

A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou, contra o voto da bancada do PT, projeto que flexibiliza a CLT, ameaçando direitos consagrados dos trabalhadores, como férias, décimo terceiro e licença maternidade. O projeto esvazia o poder de negociação dos sindicatos. No Senado, o governo FHC não teve forças para levar adiante essa medida anti-social.

29 – Obras irregulares

Um levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em 2001, indicou a existência de 121 obras federais com indícios de irregularidades graves. A maioria dessas obras pertence a órgãos como o extinto DNER, os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Uma dessas obras, a hidrelétrica de Serra da Mesa, interior de Goiás, deveria ter custado 1,3 bilhão de dólares. Consumiu o dobro.

30 – Explosão da dívida pública

Quando FHC assumiu a Presidência da República, em janeiro de 1995, a dívida pública interna e externa somava R$ 153,4 bilhões. Entretanto, a política de juros altos de seu governo, que pratica as maiores taxas do planeta, elevou essa dívida para R$ 684,6 bilhões em abril de 2002, um aumento de 346%. Hoje, a dívida já equivale a preocupantes 54,5% do PIB.

31 – Avanço da dengue

A omissão do Ministério da Saúde é apontada como principal causa da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte.

32 – Verbas do BNDES

Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle de ex-estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

33 – Crescimento pífio do PIB

Na “Era FHC”, a média anual de crescimento da economia brasileira estacionou em pífios 2%, incapaz de gerar os empregos que o País necessita e de impulsionar o setor produtivo. Um dos fatores responsáveis por essa quase estagnação é o elevado déficit em conta-corrente, de 23 bilhões de dólares no acumulado dos últimos 12 meses. Ou seja: devido ao baixo nível da poupança interna, para investir em seu desenvolvimento, o Brasil se tornou extremamente dependente de recursos externos, pelos quais paga cada vez mais caro.

34 – Renúncias no Senado

A disputa política entre o Senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em torno da presidência do Senado expôs publicamente as divergências da base de sustentação do governo. ACM renunciou ao mandato, sob a acusação de violar o painel eletrônico do Senado na votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Levou consigo seu cúmplice, o líder do governo, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Jader Barbalho se elegeu presidente do Senado, com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também acabou por renunciar ao mandato, para evitar a cassação. Pesavam contra ele denúncias de desvio de verbas da Sudam.

35 – Racionamento de energia

A imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico gerou o apagão. O povo se mobilizou para abreviar o racionamento de energia. Mesmo assim foi punido. Para compensar supostos prejuízos das empresas, o governo baixou Medida Provisória transferindo a conta do racionamento aos consumidores, que são obrigados a pagar duas novas tarifas em sua conta de luz. O pacote de ajuda às empresas soma R$ 22,5 bilhões.

36 – Assalto ao bolso do consumidor

FHC quer que o seu governo seja lembrado como aquele que deu proteção social ao povo brasileiro. Mas seu governo permitiu a elevação das tarifas públicas bem acima da inflação. Desde o início do plano real até agora, o preço das tarifas telefônicas foi reajustado acima de 580%. Os planos de saúde subiram 460%, o gás de cozinha 390%, os combustíveis 165%, a conta de luz 170% e a tarifa de água 135%. Neste período, a inflação acumulada ficou em 80%.

37 – Explosão da violência

O Brasil é um país cada vez mais violento. E as vítimas, na maioria dos casos, são os jovens. Na última década, o número de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos subiu 48%. A Unesco coloca o País em terceiro lugar no ranking dos mais violentos, entre 60 nações pesquisadas. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, na população geral, cresceu 29%. Cerca de 45 mil pessoas são assassinadas anualmente. FHC pouco ou nada fez para dar mais segurança aos brasileiros.

38 – A falácia da Reforma agrária

O governo FHC apresentou ao Brasil e ao mundo números mentirosos sobre a reforma agrária. Na propaganda oficial, espalhou ter assentado 600 mil famílias durante oito anos de reinado. Os números estavam inflados. O governo considerou assentadas famílias que haviam apenas sido inscritas no programa. Alguns assentamentos só existiam no papel. Em vez de reparar a fraude, baixou decreto para oficializar o engodo.

39 – Subserviência internacional

A timidez marcou a política de comércio exterior do governo FHC. Num gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço brasileiro. O governo do PSDB foi acanhado nos protestos e hesitou em recorrer à OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara aprovou moção de repúdio às barreiras protecionistas. A subserviência é tanta que em visita aos EUA, no início deste ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar os sapatos três vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças de aeroportos.

40 – Renda em queda e desemprego em alta

Para o emprego e a renda do trabalhador, a Era FHC pode ser considerada perdida. O governo tucano fez o desemprego bater recordes no País. Na região metropolitana de São Paulo, o índice de desemprego chegou a 20,4% em abril, o que significa que 1,9 milhão de pessoas estão sem trabalhar. O governo FHC promoveu a precarização das condições de trabalho. O rendimento médio dos trabalhadores encolheu nos últimos três anos.

41 – Relações perigosas

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Esse ditado revela um pouco as relações suspeitas do presidenciável tucano José Serra com três figuras que estiveram na berlinda nos últimos dias. O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, é acusado de exercer tráfico de influência quando era diretor do Banco do Brasil e de ter cobrado propina no processo de privatização. Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório Marin Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões junto ao Banco do Brasil. Preciado, casado com uma prima de Serra, foi doador de recursos para a campanha do senador paulista. Outra ligação perigosa é com Vladimir Antonio Rioli, ex-vice-presidente de operações do Banespa e ex-sócio de Serra em empresa de consultoria. Ele teria facilitado uma operação irregular realizada por Ricardo Sérgio para repatriar US$ 3 milhões depositados em bancos nas Ilhas Cayman – paraíso fiscal do Caribe.

42 – Violação aos direitos humanos

Massacres como o de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, onde 19 sem-terra foram assassinados pela polícia militar do governo do PSDB em 1996, figuram nos relatórios da Anistia Internacional, que recentemente denunciou o governo FHC de violação aos direitos humanos. A Anistia critica a impunidade e denuncia que polícias e esquadrões da morte vinculados a forças de segurança cometeram numerosos homicídios de civis, inclusive crianças, durante o ano de 2001. A entidade afirma ainda que as práticas generalizadas e sistemáticas de tortura e maus-tratos prevalecem nas prisões.

43 – Correção da tabela do IR

Com fome de leão, o governo congelou por seis anos a tabela do Imposto de Renda. O congelamento aumentou a base de arrecadação do imposto, pois com a inflação acumulada, mesmo os que estavam isentos e não tiveram ganhos salariais, passaram a ser taxados. FHC só corrigiu a tabela em 17,5% depois de muita pressão da opinião pública e após aprovação de projeto pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, após vetar o projeto e editar uma Medida Provisória que incorporava parte do que fora aprovado pelo Congresso, aproveitou a oportunidade e aumentou alíquotas de outros tributos.

44 – Intervenção na Previ

FHC aproveitou o dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo de 2002 para decretar intervenção na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 38 bilhões e participação em dezenas de empresas. Com este gesto, afastou seis diretores, inclusive os três eleitos democraticamente pelos funcionários do BB. O ato truculento ocorreu a pedido do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunitty. Dias antes da intervenção, FHC recebeu Dantas no Palácio Alvorada. O banqueiro, que ameaçou divulgar dossiês comprometedores sobre o processo de privatização, trava queda-de-braço com a Previ para continuar dando as cartas na Brasil Telecom e outras empresas nas quais são sócios.

45 – Barbeiragens do Banco Central

O Banco Central – e não o crescimento de Lula nas pesquisas – tem sido o principal causador de turbulências no mercado financeiro. Ao antecipar de setembro para junho o ajuste nas regras dos fundos de investimento, que perderam R$ 2 bilhões, o BC deixou o mercado em polvorosa. Outro fator de instabilidade foi a decisão de rolar parte da dívida pública estimulando a venda de títulos LFTs de curto prazo e a compra desses mesmos papéis de longo prazo. Isto fez subir de R$ 17,2 bilhões para R$ 30,4 bilhões a concentração de vencimentos da dívida nos primeiros meses de 2003. O dólar e o risco Brasil dispararam. Combinado com os especuladores e o comando da campanha de José Serra, Armínio Fraga não vacilou em jogar a culpa no PT e nas eleições.

 

Indicadores sócio-econômicos publicados pelo #TheEconomist

FONTE: BBC BRASIL / THE ECONOMIST

Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.

A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.

Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.”

Veja a revista na íntegra:

http://www.megaupload.com/?d=WH5GV672

CURIOSIDADE: No Brasil, o conteúdo da THE ECONOMIST é publicado na Revista CARTA CAPITAL.  PENSE NISSO!!!