Crianças vítimas de punição corporal abusiva têm maior probabilidade de adotar a violência quando adultos

Apresento-lhes um estudo do Núcleo de Estudos da Violência sobre crianças que sofrem punição física frequente de seus pais e os resultados deste comportamento.
Este estudo é particularmente importante por causa do projeto de lei que ficou conhecido como a “lei da palmada”. Este projeto está no congresso e sofre críticas de quem acredita que ele vai punir um pai que der umas palmadinhas de vez em quando no filho. Lógico que a lei NÃO vai punir estas pessoas que muito eventualmente usam da “palmada” para dar um corretivo no filho.
O foco da lei é outro. Ter instrumentos para inibir e punir pais que usam da violência física recorrente como “educativo”. São pais desequilibrados, que através de sua conduta propagam o desequilíbrio. Ou seja, seus filhos tendem a serem agressivos dentro e FORA da família.
O modelo agressivo que eles aprendem com os pais é reproduzido nos negócios, na escola, na empresa, em todo o cotidiano.
Na minha experiência clínica observo que estas crianças quando viram adultos são atraídos por situações de risco e abusiva. Abuso de álcool, drogas, no trânsito, etc.
Um dia as pessoas que são contra a “lei da palmada” encontrarão uma destas pessoas que sofreram com a punição física regular na infância. Serão vítimas destas pessoas e talvez comecem a entender que a VIOLÊNCIA DE UMA SOCIEDADE TEM QUE SER COMBATIDA DENTRO DA FAMÍLIA.
A pesquisa segue abaixo:

Um em cada cinco brasileiros sofreu punição física regular na infância

Agência FAPESP – Uma pesquisa realizada em 11 capitais brasileiras revelou que mais de 70% dos 4.025 entrevistados apanharam quando crianças. Para 20% deles, a punição física ocorreu de forma regular – uma vez por semana ou mais.

Castigos com vara, cinto, pedaço de pau e outros objetos capazes de provocar danos graves foram mais frequentes do que a palmada, principalmente entre aqueles que disseram apanhar QUASE TODOS OS DIAS.

O levantamento foi feito em 2010 e divulgado este mês pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

O objetivo da pesquisa, segundo Nancy Cardia, vice-coordenadora do NEV, foi examinar como a exposição à violência afeta as atitudes, normas e valores dos cidadãos em relação à violência, aos direitos humanos e às instituições encarregadas de garantir a segurança.

“A pergunta sobre a punição corporal na infância se mostrou absolutamente vital para a pesquisa. Ao cruzar esses resultados com diversas outras questões, podemos notar que as vítimas de violência grave na infância estão mais sujeitas a serem vítimas de violência ao longo de toda a vida”, disse Cardia.

A explicação mais provável para o fenômeno é que as vítimas de punição corporal abusiva na infância têm maior probabilidade de adotar a violência como linguagem ao lidar com situações do cotidiano.

A criança entende que a violência é uma opção legítima e vai usá-la quando tiver um conflito com colegas da escola, por exemplo. Mas, ao agredir, ele também pode sofrer agressão e se tornar vítima. E isso cresce de forma exponencial ao longo da vida”, disse Cardia.

Os entrevistados que relataram ter apanhado muito quando criança foram os que mais escolheram a opção “bater muito” em seus filhos caso esses apresentassem mau comportamento.

Também foram os que mais esperariam que os filhos respondessem com violência caso fossem vítimas de agressão física na escola. Segundo os pesquisadores, os dados sugerem um ciclo perverso de uso de força física que precisa ser combatido.

Os resultados foram comparados com levantamento semelhante de 1999, realizado pelo NEV nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém, Manaus, Porto Velho e Goiânia. No levantamento de 2010, a capital Fortaleza também foi incluída.

Embora o percentual dos que afirmam ter sofrido punição física regular tenha diminuído na última década – passando de um em cada quatro entrevistados para um em cada cinco –, ainda é considerado alto.

A pesquisa mostrou também que a percepção da população sobre crescimento da violência diminuiu, passando de 93,4% em 1999 para 72,8% em 2010. No último levantamento, porém, foi maior a quantidade de entrevistados que disse ter presenciado em seus bairros uso de drogas, prisão, assalto e agressão.

Para continuar lendo a reportagem sobre a pesquisa clique aqui

Texto de Regis Mesquita
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Porque ser a favor da lei da palmada

Muito se fala da questão do trauma. A criança que recebe leves palmadas, terá traumas em seu futuro? Eu digo que cada casa é um caso, é isso vale para todas as experiências da vida, cada pessoa absorve e significa as vivências de maneira diferente. Para algumas restam traumas, outras não. Para outras, inclusive situações aparentemente menos dolorosas, deixam traumas muito maiores. Então, não tem como prever. O que posso dizer é que em muitos dos casos, “palmadas leves e esporádicas” não deixam sérias “cicatrizes psicológicas”.

Porém é importante ressaltar a visão que o trauma é uma prolongação do sofrimento. Muitas vezes nos preocupamos demais com o futuro e nos esquecemos do presente, ou seja, nos preocupamos com as consequências futuras e nos esquecemos do sofrimento momentâneo causada pela dor física. Temos o direito de agredir nossas crianças, mesmo que levemente? Se agredir um adulto é crime, porque agredir uma criança que não pode se defender pode ser permitido?
Mas acredito, que em pauta, muito maior que a agressão física em si, está a questão da educação.  Quando optamos por dar uma palmadinhas, normalmente nos justificamos que estamos ensinando o certo. Na verdade, o intuito é este mesmo, ensinar o que se deve fazer. Mas será que com a palmada, estamos ensinando o certo? O certo é resolver os problemas com violência ? Ensinar o que não deve fazendo outra coisa que não se deve? Agressão é a solução? Pois é esse o recurso que estamos ensinando nossos filhos a adotar quando tiverem algum problema na escola, na rua, com o irmão…
Quando batemos na maioria das vezes a criança deixa de emitir um comportamento por medo de apanhar e, não porque é errado e agir daquela maneira trará consequências negativas. Devemos ensinar nossas crianças o certo e o errado sempre em função das consequências que nossas ações podem gerar, e não simplesmente por resposta ao medo, condicionada e automática. E quando as crianças se tornarem adultos e não houver ninguém para bater, elas vão se comportar bem por qual motivo?  No fim o que vale são os valores e princípios que aprendemos em nossa educação e formam nossa personalidade, que não se formam com agressão, mas as palavras certas e atitudes positivas.
Os defensores da lei também argumentam quanto a medida da palmada. Parece obvio, mas será que quando estamos batendo temos noção da medida de nossa força ou sabem a hora certa de parar? Por quantas vezes você já passou por situações com outros adultos que lhe disseram “você não tem medida da sua força”? Imagine só uma criança.  Muitas vezes só percebemos que passamos do limite depois que ele já foi ultrapassado, quando não tem mais como voltar atrás. Então, nestes casos, são atitudes que é o melhor nem começar, pois na muitas vezes não sabemos a hora parar, como o consumo de bebida alcoólica, por exemplo.  E aquela criança que batemos fraco, e repete o comportamento inadequado. Depois a palmada é mais forte, e ela ainda não ainda aprende. Se ela não parar de se comportar de forma inadequada, e a palmada for ficando cada vez mais forte, qual será o limite?
Também tem muito pai que bate não por ser o melhor jeito do filho aprender, e sim o jeito mais fácil para ele ensinar. O pai chega do serviço cansado, sem tempo, o filho começa a “dar trabalho”. O pai sem paciência, prefere bater do que ter todo “mais trabalho” que o castigo ou uma conversa dispende. Aproveitando o exemplo da bebida alcoólica acima, não podemos esquecer dela.  Muitas vezes o pai ingere bebida alcoólica ou está com raiva por problemas no trabalho ou com a mulher, e acaba descontando suas frustações na criança, iniciando com a palmada.
Bem, nos debates que participei sobre o assunto, ouvi muito “meu pai me bateu e isso fez quem eu sou hoje.  Acho importante lembrar que não é todo mundo que apanha que segue bons caminhos  na vida, e nem a pessoa que nunca apanhou significa que não teve educação. Conheço inúmeros casos de pessoas que não apanharam dos pais e hoje são pessoas adultas, com valores, formadas e educadas. E outras demais que apanharam, apanharam e continuam “dando trabalho” pelo mundo afora. O mesmo vale para aquele ditado: “quem não apanha em casa apanha na rua”. Isso pode ser bem verdade, mas e quantos que já apanharam em casa, não resolveu,  e apanham também na rua?
Outro ponto pouco discutido quanto a importância dessa lei, é a proteção da criança contra terceiros, como babás, cuidadores, tios, avós, já que a lei não vale apenas para pais, mas para qualquer adulto, proporcionando mais segurança também para os pais coibindo que seus filhos sejam agredidos contra sua vontade.

Dez perguntas sobre palmada

Se você acha que um tapa no seu filho vai fazer com que ele aprenda sobre limites e respeito, mude de atitude já! A seguir, veja respostas para as dúvidas mais comuns sobre o assunto e, ainda, opções que vão além da palmada para impor limites mesmo nos momentos mais difíceis.

1 – O tapinha carinhoso deve ser considerado agressão?
O contato físico entre filhos e pais é fundamental. Nesse caso, você deve ter bom senso e analisar a situação. O tapa representa uma violência, a criança sente dor. Se esse for o caso, o tapa deve ser considerado uma agressão. Do contrário, se o contato faz parte de uma brincadeira, é leve e não incomoda, tudo bem. Mas o tapa pode ser um gesto mandatório e nem sempre os adultos percebem a força exercida. Na dúvida, não faça.

2 – O que a criança sente quando está apanhando?
Depende da idade. De um modo geral, a criança se sente agredida e não consegue relacionar o motivo da violência ao que fez para provocar aquilo. Ele sente medo e isso pode gerar traumas, afinal, ela está apanhando por um motivo não compreendido.

3 – Como a palmada se forma na memória do adulto?
Ninguém tem lembranças boas de um tapa. Mas como ele vai ser registrado na memória definitiva, varia de acordo com o vínculo afetivo estabelecido com os pais.

4 – Nesse caso, a palmada pode se transformar em algo aceitável, ou seja, um valor da família?
Sim. Antigamente, a palmada era usada como instrumento de educação de forma habitual. Dessa forma, o adulto pode entender que só é possível educar dessa forma, transmitindo os valores de violência e agressão para futuras gerações.

5 – Na minha casa, fui criado à base de palmada e hoje não tenho traumas. Por que, então, ela pode ser prejudicial ao meu filho?
Se você pensar dessa forma, deve voltar a assistir TV em preto e branco, andar com carros antigos, usar as roupas fora de moda. O mundo evoluiu em todos os sentidos, principalmente na forma de educar, que é a base da sociedade. Além disso, é impossível prever como um tapa será recebido por uma pessoa. Há quem seja mais tolerante e outros que sofram mais. Quem vai querer pagar para ver se isso causará problemas no filho, se existem outras maneiras de educar?

6 – Por que bater não educa?
Quando o adulto bate no filho, ele está reconhecendo que ficou impotente diante da atitude da criança. Mostra claramente que perdeu o controle de si mesmo e a agressão passa a ser a única maneira de manter a autoridade. A força física de um adulto é maior e se amplia nos momentos de raiva. Testar os limites dos pais é um comportamento típico que faz parte do aprendizado da convivência em família. Embora não seja fácil, os adultos devem lidar com as manhas com carinho e desenvolver a capacidade de dialogar e explicar as coisas para a criança sem violência. Afinal, ela é capaz de entender mais do que se imagina. Além disso, depois de bater muitos pais se arrependem. Essa atitude contraditória não é positiva para a criança.

7 – Quais são as consequências da palmada para vida da criança?
Em primeiro lugar, a criança primeiro não entende por que está apanhando. Pode sentir raiva do adulto e aprender que a força é um meio aceitável de conseguir o que quer. Além disso, para descontar o tapa que levou dos pais, vai bater nos amiguinhos. O adulto não tem moral para dizer que isso é errado, as referências da criança ficam, portanto, confusas. Para piorar, após a agressão, ela vai remoer coisas antigas, trazer à tona mágoas de quem o agrediu e até mesmo querer se afastar do agressor.

8 – Ela pode, ainda, ter outros problemas no futuro?
Sim. A criança que apanha também pode ter dificuldades para respeitar autoridades e receber ordens, já que era controlada pela força física. Ela obedecia para não apanhar ou somente depois de levar uns tapas. Assim, na ausência do castigo físico, perde as referências de até onde pode ir.

9 – Como agir em situações em que as crianças tiram os pais do sério ou ultrapassam limites, como birras e escândalos em lugares públicos?
A questão é colocar os limites claramente para as crianças antes, conhecer bem os seus filhos. Tapas não são capazes de corrigir as falhas na educação. O diálogo, a explicação de que aquilo não é certo, com carinho, é mais eficiente. Pois, dessa forma, a criança compreende melhor. O tapa só vai estancar uma ação que provavelmente irá se repetir.

10 – Em vez de bater, tem problema gritar com a criança?
Sim. Substituir os tapas por gritos também não adianta. É um tipo de agressão verbal, por isso, tem praticamente o mesmo efeito da violência física.

Fonte: Kátia Teixeira, psicóloga da clínica EDAC (SP), Cacilda Paranhos, especialista contra a violência infantil do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)

Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI154727-15152,00.html

Palmada fora-da-lei

FONTE: SUPERINTERESSANTE – FEVEREIRO 2001

DISPONÍVEL EM: http://super.abril.com.br/cotidiano/palmada-fora-da-lei-441964.shtml

 

A maioria das pessoas encara com naturalidade o gesto de bater nos filhos, como se a violência física fosse um instrumento legítimo (e até necessário) para a educação das crianças. É um hábito tão arraigado em nossa cultura que não é raro ouvirmos o argumento de que “os filhos já não respeitam mais seus pais porque não apanham”. Mas essa agressão não deveria ser vista com tanta naturalidade, já que é uma violência proibida por lei em países como Finlândia, Suécia, Dinamarca, Chipre, Letônia, Áustria, Croácia e Noruega. E eles não são uma exceção. Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Itália, Irlanda, Escócia, Israel e Bulgária estão caminhando na mesma direção, criando leis para proibir os pais de bater em seus filhos.

No Brasil, antes da chegada dos portugueses, os índios não tinham o costume de castigar fisicamente as crianças. Diversos relatos de padres no início da colonização revelam que, entre os índios, nem pai nem mãe agrediam seus filhos. Foram os jesuítas e os capuchinhos que introduziram o castigo físico como forma de “disciplinar” as crianças no Brasil. Durante esses 500 anos, os menores sofreram surras aplicadas com os mais inóspitos instrumentos: varas de marmelo e de açaí, rabo de tatu, chicote, cintos, tamancos, chinelos, palmatórias e as próprias mãos paternas e maternas, cocres na cabeça, puxões de orelha, palmadas…

Além da covardia que está presente no ato de bater em alguém mais fraco, a violência não é, definitivamente, um bom instrumento de disciplina. Ela perde o seu efeito a longo prazo e a criança, aos poucos, teme menos a agressão física. Com o tempo, a tendência dos pais é ainda bater mais, na busca dos efeitos que haviam conseguido anteriormente. O resultado desse aumento da violência pode trazer seqüelas físicas e psicológicas permanentes para as crianças. Os filhos também vão se afastando gradualmente de seus pais, pois a agressão física, em vez de fazer a criança pensar no que fez, desperta-lhe a raiva contra aquele que a agrediu.

Ao ser punida fisicamente, a criança tem a sua auto-estima comprometida – passa a se enxergar como alguém que não tem valor. Esse sentimento pode comprometer a imagem que faz de si pelo resto da vida, influenciando negativamente sua atitude durante a adolescência até a vida profissional. Como a criança pode se sentir tranqüila quando sua segurança depende de uma pessoa que facilmente perde o controle e a agride? Ela também passa a omitir dos pais os seus erros, com medo da punição, e sente-se como se tivesse pago por seu erro – e acredita que por isso pode cometê-lo novamente.

Enfim, não é preciso enumerar todos os problemas que são causados pela violência familiar. Bater nos filhos é um atestado de fracasso dos pais, uma prova de que perderam o controle da situação. Por mais inofensiva que possa parecer uma “pequena palmada”, é importante saber que a força física empregada pelo adulto é necessariamente desproporcional. É verdade que os castigos imoderados e cruéis estão proibidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promulgado em 1990. Mas como definir claramente o que é castigo imoderado? Há vários casos de crianças que morreram depois de ter sido castigadas “cruelmente”. Embora um tapa e um espancamento sejam diferentes, o princípio que rege os dois tipos de atitude é exatamente o mesmo: utilização da força e do poder.

Por trás da violência física está a idéia implícita de que os pais têm total direito sobre a vida e a integridade física da criança. A maioria dos adultos com que tenho contato foram educados com surras e palmadas e reproduzem esse modelo, pois acreditam que o tapa tem a capacidade de modificar comportamentos. A meu ver, a proibição por lei de qualquer castigo físico eliminaria a violência familiar e ajudaria a formar pessoas melhores. A lei não precisa ter caráter punitivo (os pais não deveriam ser presos depois de uma palmada, a história mostra que não se deve tratar violência com violência). Mas eles deveriam ser advertidos caso fossem reincidentes, podendo até perder a posse da criança. Seriam obrigados a participar de um programa de educação, semelhante aos que já existem na legislação de trânsito. Estamos conscientes de que a lei, sozinha, não seria suficiente para impedir o comportamento violento dos pais. Somente um trabalho educativo poderia trazer a consciência de que o amor e o carinho são fundamentais para formarmos cidadãos capazes, seres humanos de verdade.

 

por Cacilda Paranhos

Psicóloga e pesquisadora da USP, coordenadora da campanha “Palmada Deseduca”.

O mundo contra a palmada

Muitos gostam de pegar exemplos de outros países e se perguntar o motivo destes não serem aplicados no Brasil. Um caso muito comum é o da redução da maioridade penal.

Pois bem, segue pequeno texto mostrando como a palmada é tratada em países desenvolvidos.

 

Educar os filhos uma tarefa complicada para qualquer pai, no mundo inteiro. Uns preferem conversar quando a criança faz algo de errado, outros partem para a “palmada educativa”. Este tipo de punição parece inofensivo, mas, na verdade, causa danos permanentes ao seu filho. É por isso que, no Brasil, uma lei que proíbe a punição corporal como forma de educação está sendo discutida. Alguns países, no entanto, já estão na frente e tem uma política rigorosa sobre o assunto.
A Suécia foi o primeiro país a proibir qualquer punição às crianças em 1979. A lei estabelecida diz que “As crianças tem direito a cuidados, segurança e uma boa educação. As crianças devem ser tratadas com respeito pela sua pessoa e individualidade e não podem ser submetidas a castigos corporais ou qualquer outro tratamento humilhante”. Já em Portugal, a lei foi aprovada em setembro de 2007 e proíbe castigos corporais e maus-tratos psicológicos.

Também em 2007, o Uruguai aprovou uma lei que proíbe toda e qualquer punição corporal de crianças (“Proyecto de Ley Sustitutivo – Prohibición del castigo físico”). Antes, o Código Civil do país previa que os pais poderiam “corrigir” moderadamente as crianças, sem especificação sobre agressões físicas ou psicológicas. Mas o Código Civil atual do Uruguai reconhece o direito das crianças de não serem castigadas fisicamente.

No Canadá, há uma longa história de discussões sobre a proibição das palmadas em crianças. O artigo 43 da Constituição Penal canadense, de 1892, prevê que pais, professores e tutores podem usar uma “força razoável” para disciplinar as crianças. Em 2004, foi apresentado o projeto de lei chamado “Bill S-209” que visava eliminar o artigo 43 da Constituição e permitia que os pais pudessem usar a força em situações muito específicas – como uma pequena palmada na mão para evitar que uma criança faça algo perigoso. Mas a palmada de rotina com o intuito de disciplinar e como castigo premeditado não seria permitido. O projeto foi aprovado pelo Senado em junho de 2008, só que para virar lei ainda é necessária a votação do Parlamento.

Já nos Estados Unidos, não há leis específicas sobre o uso das palmadas pelos pais na educação das crianças. De acordo com Paulo Sérgio Pinheiro, coordenador do Centro de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo e relator da infância da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, em entrevista ao programa Roda Viva (TV Cultura – 09/08/2010), a proibição da punição corporal, chamada em muitos países de “lei antipalmadas”, já existe em 30 países. Entre eles, Suécia, que proibiu a palmada em 1979, Israel, Costa Rica, Espanha, Venezuela, Grécia, Alemanha, Dinamarca e Nova Zelândia.

 

Fontes: CBC News; Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children

Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI154713-15546,00.html